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O Açordas

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  Por vezes gosto de pensar em mim Como um fiel depositário de recordações, Pedaços de vida que alguém deixou a congelar Na criogenia da minha memória. Hoje, sem saber porquê, recordei o Açordas Demorei algum tempo até conseguir recordar o seu nome verdadeiro. Alberto, chamava-se Alberto! Mas para nós era, desde sempre. o Açordas. Puto beirão, rijo e de cara sardenta o seu destino seria traçado logo de criança pequena. Sem posses para sustentar mais um filho, os pais, lá de uma pequena aldeia da Beira Interior, o entregam à criação de uns tios de Lisboa.  Nunca o vimos lamentar-se de nada. Um homem é como tem de ser! Puto rijo cerrava os dentes e metia sempre o pé à bola. Porque um homem tem de ser rijo e não pode virar as costas a nada. Um homem não chora. Resistia a tudo o Açordas. Resistia a tudo, menos à corrente de um rio da sua terra que um dia, tendo-o de visita,  o arrastou nas suas águas para um lugar onde as pessoas já não precisam de dar o corpo às bolas chutad...

Eleições Presidenciais 2015, uma análise ao perfil dos candidatos (quando ainda me dava ao trabalho)

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  Como toda a gente já deve ter reparado sempre me pautei por ser uma pessoa muito conscienciosa dos meus deveres cívicos, nomeadamente e muito particularmente no que concerne à vida política deste país pelo que já me encontro em plena análise das personalidades sobre quem o meu voto presidencial irá recair no próximo dia 14 e Janeiro Nesta profunda análise tento esquecer o partido que suporta a candidatura e o ruído supérfluo que se gera em volta de cada candidato para só me debruçar sobre o âmago da questão, o que realmente interessa.  Sem qualquer ordem específica, a não ser ter dado prioridade as senhoras como o deve fazer um cavalheiro, debrucei-me primeiro sobre a Maria de Belém. Ora bem, a Maria de Belém... não serve!  E não serve porquê, poderão perguntar. Não serve porque se chama Maria de Belém e ter uma Maria de Belém em Belém não soa bem! Causa confusão nas conversas de autocarro. -  É pá já viste aquela gaja que agora está em Belém?  - Quem?  -...

Azul mirtilho

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 É preciso ter cuidado com as mulheres! É preciso ter cuidado com as mulheres, pronto! À primeira vista parecem umas criaturas adoráveis e simpáticas mas desenganem-se, estes seres têm o condão de nos tornar a vida num inferno. Mestres na arte da manipulação, dominam a arte de memorizar as nossas palavras para mais tarde as utilizarem contra nós, naturalmente que, devidamente desenquadradas do contexto e deturpadas de intenções. Portanto, a nós, homens, mais vale estar calado e fazer o que nos dá na real gana sem lhes dar cavaco. Um pelo da barba no lavatório, é caso de indignação a nível nacional. Porque somos uns porcos, porque estão lá as escravas para limpar… enfim.  Sim, que os rolos de cabelo que deixam na escova e no ralo da banheira são devidamente omitido do relato.  E o homem, se tiver alguma experiência na matéria, também não toca neste assunto e deixa morrer a questão  que ao fim de uma semana ou duas ela acaba por deixar de falar naquilo. Já os incautos ...

O Homem todo omnipotente

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  Todos os dias umas nano formigas passeiam em cima da minha secretária a fazer pela vida. Ao telefone, detecto uma à minha esquerda ziguezagueando à procura do pequeno almoço Distraído faço rolar a caneta sobre o tampo da secretária atropelando-a. Passa a caneta, fica a formiga de antenas a tactear o ar e tentando mover as patas trazeiras lesionadas. Não tenho outro remédio que não armar-me em Deus omnipotente e proceder a uma rápida eutanásia com o dedo indicador. Mesmo sem querer o homem não passa de um filho da puta!

Sim, Sim, Sim,

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  Estive ontem a ouvir em segundo plano na Antena 1 enquanto esfregava o tabuleiro do forno um programa muito interessante que se chana Cinema. Como é na rádio, não sei se se chama Cinemax ou Cine Max, no entanto e como foneticamente é igual para o caso tanto faz. Segundo depreendi, o objectivo deste programa é afastar definitivamente os ouvintes das salas de cinema tal é a maçada de ouvir aquela conversa. Ontem o convidado foi o realizador Pedro Magano e o tema recaiu sobre dois dos seus filmes que vão estrear. Um, não retive o nome, o que é uma pena pois não me permitiu reservar os bilhetes com a devida de antecedência e certamente hoje, se o tentar fazer, as sessões estariam esgotadas até ao fim da sua exibição nos cinemas. O outro filme é uma curta-metragem e chama-se Luana (recordo-me bem deste pois é o nome de uma amiga da minha filha) e irá dar hoje na RTP 2 a partir da meia-noite. Como hoje mudou a hora e o programa foi ontem, não sei se seria à meia-noite de ontem, vinte e...

Burca on, burca off

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Confesso que me tenho sentido dividido no que respeita à Lei de proibição de Burcas e Hijab em espaços públicos. Se por um lado considero o pleno direito e o respeito pela liberdade religiosa e individual de cada um, e não, não vale argumentar que “no pais deles temos que respeitar as Leis e costumes deles” porque não podemos nivelar por baixo o conceito de tolerância e democracia, por outro lado considero que o uso de burca e hijab fere os direitos e liberdades das mulheres e é com estranheza que vejo partidos de esquerda que exigem paridade e representatividade em todas as áreas da Sociedade considerem que o direito à cultura se sobreponha aos direitos das mulheres que, desde crianças, são condicionadas a aceitar o seu papel secundário numa Sociedade extremamente machista Em Portugal existem Leis que se aplicam transversalmente a toda a Sociedade e em caso algum alguma raça, etnia, religião, classe, estatuto ou cultura se pode sobrepor a elas e reclamar isenção do seu cumprimento evo...

Autarquicas 2025

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  Este ano de 2025, no Montijo, o debate ou bandeira política para as eleições autárquicas recaiu básica e fundamentalmente sobre a higiene urbana. De um lado e de outro e de outro ainda, esgrimiam-se argumentos sobre de quem era a responsabilidade da recolha de lixo e monos na cidade e nas outras zonas que embora ainda sendo cidade são consideradas zonas rurais para as quais sobra pouca atenção do edil camarário. A conversa sobre lixo foi tema de eleição nos cartazes e nas páginas das redes sociais dos candidatos cheirava a dejectos. Pensando bem até é natural, os ingleses tiveram a sua Guerra das Rosas, o Montijo teve a sua Guerra da Merda. No entanto este tema fez-me prestar um pouco mais de atenção à minha volta e efectivamente, durante o período de campanha eleitoral, oficial e não oficial, sobrepunha-se aos tradicionais arranjos e cortes de erva de ultima hora, que sempre ocorrem em época de eleições, uma falta de higiene urbana absurda, como se centenas de javalis andassem a...

O abimbalhismo da educação

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  De acordo com um estudo publicado pelo Ministério da Educação, o ano em que se registam mais retenções é o 2.º ano do Ensino Básico pelo simples facto de os meninos não saberem ler.  Se juntarmos a este resultado o facto de que para o Ministério da Educação saber lêr, que tem como  consequência a implicação directa de transição automática para o ano seguinte, significa que o instruendo sabe juntar as duas sílabas da palavrá “pópó”, as conclusões são assustadoras.  Pois é, os bambinos são sabem, nem querem, aprender a ler. Não compreendem a necessidade que os adultos sentem de sujar as folhas de papel com aquelas garatujas esquisitas e que dão muito trabalho a decifrar. Adivinha-se agora a criação de grupos de trabalho, formado por professores, psicólogos infantis, uns quanto doutorados em sociologia e um especialista em coçar tomates, para dar outro rumo à situação. Provavelmente chegarão à conclusão que “pópó” será uma palavra muito complexa para servir de bitola ...

Guilty as charged

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  Dando fé a alguns comentários que fui lendo pelo Facebook ao longo destes anos, dei conta que, por proposta de alguns comentadores que ali aparecem e de que me escuso de dizer o sexo, o Código Penal deverá muito brevemente sofrer alterações. A saber: Marido bate na esposa – Culpado, prisão perpétua Esposa bate no Marido – Inocente, coitada lá teria as suas razões. Homem viola mulher – Culpado, prisão perpétua e flagelado todos os dias na prisão Mulher viola homem – Ah,ah,ah Homem mata mulher – Culpado, prisão perpétua e mais uns dias por precaução Mulher mata homem – Inocente, pobre senhora se calhar foi de tantos maus-tratos que sofreu Homem mata o filho – Culpado, prisão perpétua por matar um ser fruto do seu sangue Mulher mata o filho – Inocente e ajuda psiquiatra porque para uma mãe fazer isso a um filho é porque está doente. É onde é que estava o pai?  Empresa dá preferência à contratação de Homem – Culpado, machismo, exige-se indemnização por danos psicológicos e uma r...

Kim Jong-un

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  O palerma que usa o bigode do Quim Barreiros espetado na cabeça à laia de penteado, voltou a fazer das suas! Desta vez ao fazer um teste com um míssil de longo alcance provocou um abalo de terra com intensidade equivalente ao grau 5 na escala de Richter. A desculpa do patetóide é sempre a mesma: que agora o seu país está em condições de se defender de possíveis ataques nucleares dos seus inimigos. O panasca, como já devem ter reparado, é o grande Kim Jong-un, filho de Kim Il-sung e de Fan-ta La-ran-ja, e vive em Pyongyang, capital da Coreia do Norte trajando todos os dias a mesma bata cinzenta que a minha mulher a dias teria vergonha de vestir. Eu disse todos os dias? Não é verdade. Quando recebe alguma pessoa importante veste um fatinho ocidental e fica parecido com o gordo da nossa turma da primária no dia em que o fotógrafo da terra vai à escola para os retratos da praxe.  O argumento que o menino Tonecas usa para se encher de mísseis seria naturalmente um argumento válid...

Silêncios e palavras

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  Anos atrás, uma amiga minha, senhora fina e de boas famílias, agora com 86 anos, confessou-me numa conversa que, tal como esta, surgiu do nada após uns minutos de silêncio. Que nunca tinha esquecido o rapazinho que fazia as entregas da mercearia que conhecera de vista quando era criança. Conhecera de vista porque os pais nunca lhe permitiram conversas com aquwle rapaz de casta inferior. Fôra o seu primeiro amor.  Outros amores, naturalmente, se lhe seguiram ao longo da vida e muitas vezes a imagem daquele rapaz segurando a alcofa das compras e a assobiar pela rua se lhe terá subtraído da memória. Mas naquele dia, quando fala comigo, com os olhos boiando em lágrimas de saudade, é dele que fala, daquele amor infantil de quem nunca lhe permitiram saber o nome sequer. Que coisas são estas que se alojam dentro de nós e de quando em quando nos saem em palavras ditadas pelo coração em conversas vindas do nada e após prolongados silêncios.

Igualdade de género... de sexo... já não sei

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 Foi com grande júbilo que recebi a notícia que a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género,  COCIG, CCIG, COMICIG ou equivalente, tinha cumprido a sua função e tinha sensibilizado o Governo para sensibilizar a Porto Editora para retirar os livros que na perspectiva deles colocava as meninas ao nível das amebas. Fiquei feliz, primeiro lugar porque se confirma que a dita comissão, com mais ou menos dificuldade, conseguiu resolver os problemas apresentados nos referidos livros de actividades que se destinavam a crianças entre os 4 e os seis anos de idade, portanto muito mais adiantadas intectualmente do que eles. Em segundo lugar porque foi reposta  a imparcialidade das coisas. Onde já se viu um livro com capa cor de rosa para as meninas e azul para os rapazotes? Completamente despropositado e discriminatório, ora vejam lá se pegando neste nefasto exemplo, as mamãs e futuras mamãs começassem a vestir e a fazer os enxovais para os pequenotes de cor de rosa para as meni...

A Sueca

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Nunca percebi esta paixão que as pessoas têm por jogos de cartas, muito principalmente pelo jogo da suéca que junta de uma só vez quatro improdutivos à volta de uma mesa a deitar cartas umas por cima das outras. Até os simbolos com que assinalam as vitórias num pedaço de papel de mercearia me irritam. Bolinhas em cima de riscos dispostos em forma de espinha de peixe. E a gíria? Seca, assistir, renúncia, chita… ou aquela linguagem gestual de bater com o nó dos dedos no tampo da mesa…. Não é que nunca tenha participado neste ritual de moda predominantemente masculina, mas nunca gostei. Nem de suéca, nem de bisca, nem de king, nem de copas, nem de burro em pé, nada! Nem sequer os jogos de Casino me atraem.  Uma vez fui rebocado pelos meus amigos ao Casino de Vilamoura, ou lá onde era, e joguei duas moedas numa slot machine. Nem o coração se me buliu ao ver as melancias e os cifrões a andar à roda até se deterem numa moeda, num cifrão e num limão e zero moedas a sair. A parte mais inte...

O Vitor Coxo

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 Nos meus tempos de miúdo fazia parte do meu grupo de professores informais um rapaz, talvez uns 7 anos mais velho do que eu, a que nós carinhosamente e principalmente quando estávamos bem longe dele, chamávamos de Vitor Coxo por mor de uma bota ortopédica que calçava para de corrigir a diferença de mais ou menos dez centímetros de uma perna para a outra. Tinha sido a poliomielite, dizia-se. Vitor Coxo, utilizava com frequência aquele corrector ortopédico para nos ensinar as lições mais básicas da vida, como o respeito aos mais velhos, principalmente a ele, a visão periférica e a arte da esquiva.  Repetia ele com uma sabedoria chinesa quando alguém a mais de cinco metros de distância lhe faltava ao respeito, que não precisava de correr atrás dele. E era verdade, Vitor Coxo não esquecia. Nos primeiros dias, bem ciente do perigo que corria, o prevaricador não se aproximava à distância de uma pedrada, depois, à medida que os dias se sobrepunham a outros dias, lá ia ganhando corag...

Germil

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  O rapazola, que em França deve ser pasteleiro, em Portugal, para o casamento na merdaleja é um rei, veste calça justa que lhe desce até à uma mão travessa acima dos artelhos, camisa branca apertada na cintura,  laçarote vermelho e sapatos castanhos pontiagudos que lhe transformam o 41 que calça num 48 que o anunciam 2 minutos antes do seu corpo magro entrar no café. Do cabelo cortado curto dos lados à futebolista de província , descem-lhe duas patilhas afiadas em bico até meio da orelha.  Num pulso badala-lhe uma pulseira grossa em prata, no outro um relógio do tamanho do Big Ben. Conduz, à vez, dois carros em alta velocidade pelas ruas empedradas e apertadas da aldeia, um Fiat 500 e um Opel Vectra, ambos novos, a brilhar quase tanto como os brilhantes nas unhas da consorte ou da irmã, não se percebe bem, que está a menos 1 metro dele com um vestido vermelho, justo e que lhe dá quase aos pés onde umas sandálias pretas, de salto grosso  seguras por uma tira em volta...

Ó tágide minha

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 Uma garota dos seus vinte cinco ou vinte seis anos, alta e coroada por um boné de pala castanho, que deixava cair os seus cabelos negros penteados em rabo de cavalo pela abertura traseira, viajava no Metro alheia ao que se passava à sua volta cantarolando silenciosamente o que os headphones over hear, pretos, lhe sussurravam aos ouvidos.  A camisa de alças cinzenta e justa ao corpo mostrava um corpo fino de cintura de vespa. Um palmo abaixo desta cintura de vespa, umas calças do que me parecia um veludo castanho ajustavam-se-lhe às pernas até à altura do joelho e dai para baixo alargavam até aos ténis também eles cinzentos. Tudo isto para dizer que lhe olhei para o rabo. É verdade, olhei-lhe para o rabo! E que rabo, meu Deus. Sim, eu sei que não se deve evocar o nome de Deus em vão mas, neste caso, até ele deve estar orgulhoso da sua obra e certamente ficará muito satisfeito por eu lhe dar aqui os devidos créditos pela criação que certamente só a ele terá cabido.  Há mui...

Não ofendereis

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  No autocarro que circula todos os dias entre a Praça da Nuvem Fofa e o Alto do Não me Toques, do País dos Fofinhos, o motorista faz uma travagem brusca. Mais uma entre a mil e uma que já fez desde que saiu da Praça da Nuvem Fofa. Os passageiros rabujam e olham todos uns para os outros com ar de reprovação mas não dizem nada. À milésima terceira travagem, um passageiro que viajava de pé toca repentinamente  à campainha com o nariz e com a testa. Fiquei admirado. Como é que ele conseguira fazer aquilo? Daí para cá tentei muitas vezes imitá-lo mas nunca consegui, ora tocava com a testa ora tocava com o nariz, com os dois ao mesmo tempo nunca consegui. Apesar de tudo o passageiro não pareceu ficar feliz com a sua proeza e vai de cumprimentar o senhor motorista com um vigoroso “Ó meu grande f***o da p**a, meu c****o de merda (acho que posso dizer merda, não posso?) e se fosses guiar assim para o c*****o? Meu boi, p*******o, chulo merda. Tiraste a carta onde, meu c****o? Foi a p**...

Elasteno, essa maravilhosa invenção

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  Eu e a menina de leggins pretas chegámos mais ou menos ao mesmo tempo ao pé da caixa de pagamento automatico do parque da Costa da Caparica. Como cavalheiro que sou e porque tinha curiosidade para descobrir se era tão simpática por trás como era pela frente, cedi-lhe o meu lugar e a menina agradeceu com um sorriso que ao mesmo tempo queria dizer obrigado e um não fizeste mais que a tua obrigação. Chegada a sua vez, introduziu o cartão na ranhura correspondente e, logo de seguida, as moedas noutra ranhura mais ao lado. Quase de imediato, na gaveta de baixo ouviu-se tilintar as moedas da demasia. Apressada para as recolher não fosse eu um perigoso assaltante de moedas de euro, deixou cair umas quantas para o chão. Soltando uma impecação, dobrou-se pela cintura para apanhar as moedas do outro lado do parapeito que protege a máquina...... Por acaso vocês sabiam que as leggins são constituídas maioritariamente por elasteno, que goza da propriedade de ficar transparente quando devidame...

Escolas carenciadas

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Fui hoje interrompido a meio de uma torrada e um sumo de laranja (sim, porque eu sou bem) com a notícia Antena 1 que o Governo vai criar este ano 500 novas vagas no ensino superior para escolas carenciadas. À partida e assim de chofre pareceu-me bem, mas depois comecei a pensar: “escolas carenciadas”? O que são “escolas carenciadas”? Serão escolas com falta de professores, de contínuos, de equipamentos, de alunos? E se o Estado assinalou essas escolas como carenciadas porque não corrigiu essa carência ao longo do ano ou dos anos?  Isto levou-me a lembrar aquela curva de acesso à Ponte Vasco da Gama para quem vem do Montijo que tem um sinal a dizer “Curva Perigosa”. Se é perigosa porque é que a construíram perigosa? Mas, na realidade, não sabia o que são escolas carenciadas. Depois aprofundei o pensamento porque também não tinha sentido escolas, carenciadas ou não, terem uma via de acesso previlegiada ao ensino superior e pensei: “ Ahhh, não são escolas carenciadas, serão alunos car...

A culpa é do SIRESP

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  Algumas questões acerca dos incêndios, parvas, obviamente. 1 - E se em vez dos Bombeiros trabalharem 24 horas por dia no Verão a combater incêndios e a arriscar vida, passassem um fim de semana por mês a limpar as matas? 2 - E se em vez dos soldados estarem a fazer algo de indefinível nos quartéis durante o ano inteiro, passassem 2 dias por mês a limpar matas?  3 - E se os presos que estão na cadeia a jogar futebol e no ginásio passassem a pena a limpar florestas?  4 - E se os condenados a prisão domiciliária passassem a pena a limpar florestas?  5 - E se os condenados com pena suspensa passassem os fins de semana a limpar florestas?  6 - E se os habitantes das áreas de risco em vez de passarem os fins de semana do Verão de festa em festa, guardassem um fim de semana a limpar as florestas? 7 - E se os habitantes fora das áreas de risco doassem um fim se semana para ir limpar as florestas? 8 - E se os empresários doassem dois dias no ano da sua força laboral e ...

Crédito mal parado

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Há cerca de 26 anos, mais mês, menos mês, estava eu sentado numa cadeira da Caixa Geral de Depósitos à espera da minha vez para me fazerem uma simulação de crédito à habitação. Depois das tradicionais duas horas de espera passadas a ler papelinhos com percentagens De TAE, TAEG e juros, lá me chamaram ao gabinete asséptico onde aquela gente trabalha rodeada de um absoluto silêncio que só ousam quebrar com os sussurros que nos dirigem. Após ter dito ao que vinha, o que provocou um arquear de sobrancelhas ao funcionário que interpretei como um "está bem, está", lá começou o seu processo inquisitorial: Como me chamava, o número do BI, o número de identificação social, o número da segurança social, número de sócio do Benfica, data de nascimento, recibo de vencimento, habilitações literárias, se era casa de primeira ou segunda habitação, se tinha fiador, quem eram, o que faziam e se participavam nalgum rancho folclórico, se iam à missa ou ouviam discos do José Cid. Ao fim de mais d...

Rua do Alecrim

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  A propósito de nada. Vinham hoje à minha frente, e a descer lado a lado a rua do Alecrim, duas jovens meninas, uma preta e uma branca, que andariam, talvez, lá pelos seus vinte anitos e com o ar inconfundível de quem mora em Monte Abraão ou terras assim.  A preta, magra e negra como a ferrugem e a branca com um cu que eu, à primeira vista, confundi com o Largo Camões, com tuk tuks estacionados e tudo, Mas o que impressionava mais não era aquela enorme mole de carne cujo relevo geológico deixava adivinhar uma enorme actividade sísmica ou meteórica que cravara a superfície com profundas crateras de celulite, o que impressionava mais eram aqueles pobres butties, que se esforçavam para não serem engolidos por aquele enorme nalguedo que se fosse um ciclone estaria certamente classificado como grau 5. A sério que ainda pensei tirar uma fotografia para memória futura. Pus a câmara do telefone em modo parorâmico para fazer uma 360º que captasse o início da anca que ficava a Leste e ...

Faz hoje 40 anos

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 Onde estavas há 40 anos atrás? Se alguém nos fizer esta pergunta a reacção mais provável é a resposta cliché: Há quarenta anos atrás? Eu nem me lembro do que jantei ontem... Pois é. Ninguém sabe! Mas se eu disser que faz hoje precisamente 40 anos que se realizou o memorável concerto organizado por Bob Geldorf e Midge Ute já se fará luz nalguns cérebros e um ahhhh colectivo faz-se ouvir. E se eu disser ainda que esse concerto se chamava Live Aid já teremos luzes suficientes para enfeitar uma árvore de Natal. Os outros, os outros que não se lembram que se lixem. Vão recordar o He-Man e o Marco do macaquinho e os que nem disto se lembram que passem à frente e vão ver aqueles questionários muito engraçados em que ficamos a saber o significado do nosso nome, quem é o nosso melhor amigo e em que ano vamos morrer e porquê. Mas hoje faz 40 anos que se realizou o Live Aid. O objectivo era angariar fundo para combater a fome na Etiópia  e nem o facto da maior parte do dinheiro angariad...

Figueirinha

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  Ontem inaugurei a época balnear 2018, a minha claro, e armado de guarda-sóis, mala térmica e família lá rumei eu em direcção à praia da Figueirinha que, de há 3 anos a esta parte, se tornou a minha praia de eleição desde que abandonei definitivamente Sesimbra tornada por estes tempos um antro de gente e famílias de plástico, muito iguais, umas às outras, muito finas e cujo passatempo favorito é caminhar ao longo da praia importunando todos quantos querem praticar uma actividade à beira mar. Quando nos programas de vida selvagem falam dos números impressionantes de mortes que um simples gato doméstico provoca na avifauna local quando deixados em liberdade, eu respondo imediatamente com o número ainda mais impressionante de pessoas que um só destes passeadores de peles e banhas tostadas pelo sol pode incomodar. Param jogos de futebol, de raquetes, de voleibol, pisam e destroem poças e piscinas que extremosos pais tinham construído para os seus pequenotes, param praticantes de ski...

Uma pergunta póstuma a Stephen Hawkins

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Quando tenho o computador avariado gosto de me cultivar e não deve ser admiração para ninguém se eu disser que ele avaria muito poucas vezes!  Mas a realidade é que ele agora está avariado e lá estive eu agarrado à televisão a ver um programa do canal National Geographic sobre a criação do Universo e da existência ou não de Deus. Seria Deus necessário à criação do Universo? Stephen Hawkins dizia que não, para haver criação basta existir três coisas, matéria, energia e espaço.  Como a matéria e a energia são uma e única coisa, bastaria existir duas coisas: Energia e espaço. O tempo só viria a seguir. E se o tempo começou com o Big Bang não podia existir nada antes da grande explosão. Mas então como se criou a matéria perguntam alguns de vocês? Responde o Stephen: Não existia! Tal como os protões que tão depressa podem existir como não existir, também a matéria não existia antes do momento zero e por isso Deus não existia! Não percebi nada mas fiquei muito surpreendido com a con...

OMO lava mais...mais...

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Na senda do mundo coninhas que estamos a construir para os nossos filhos, soube anteontem que, à semelhança da Unilever e na sequência das manifestações antirracismo motivadas pela morte de George Floyd, a LÓreal vai retirar as palavras branco, branqueamento, claro ou clareamento dos seus produtos para a pele, uma vez que estas designações poderão ter conotações étnicas ou racistas por direcionarem os respectivos produtos para uma raça específica: a branca, uma vez que pretos, excepção feita a Michael Jackson, amarelos e vermelhos não terão interesse algum em branquear ou clarear o que quer que seja. Depois de ter andado à procura e encontrado o meu neurónio que ao ler esta notícia decidiu esconder-se na gaveta das meias, comecei a dar-lhe uso e a pensar nas implicações que este pequeno passo dado por estas marcas poderá ter na nossa vida futura. Qual será o futuro dos bronzeadores? Poderemos utilizar sem ofender alguma raça ou etnia? E em caso afirmativo como os podemos pedir na farmá...

O bicho homem

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 Estive a ver com muito interesse um programa no canal Caça e Pesca que a NOS fez o favor de me oferecer.  O programa, em si, chamava-se "Em viagem: na Foz do Zambeze", o assunto era... tiros aos bichos, os protagonistas são os próprios bichos, um espanhol armado com 3 pretos e um branco, que pelo portunhol suspeito seja português, e uma arma de grande calibre.  O enredo é simples, os bichos lá andavam a fazer pela vida muito sossegados a pastar e o espanhol com a sua trupe, aproxima-se por trás e pumba. Mata o bicho! Depois de dar uma palmadinha de felicitação nas costas do Portuga, aproxima-se muito condoido e como se não tivesse nada a ver com o assunto e estivesse ali meramente por acaso, diz fazendo uma festa no animal estendido no solo que se esvai em sangue "Qué bonito, qué bonito". .... pois era, senhor caçador, pois era.

Lágrimas de mãe

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Toquei-lhe na orelha procurando memorizar na ponta dos meus dedos os seus contornos, tenho pouco tempo, muito pouco tempo, dois ou três meses no máximo. Estamos em Outubro e três meses antes tinham dito seis meses. Seis meses, isto daria…. A sua mão esquerda em cima da mesa da cozinha, as unhas estriadas e no dedo anelar duas alianças, uma de ouro e outra de prata. Procuro decorar tudo. Mas quem pousa a mão em cima da mesa não é ele. A última vez que o vi era Agosto e estava de partida para o Algarve e ele à janela da varanda despedir-se de mim com aquele olhar que me deixou de herança. Na altura achei-o magro, mas pensei que era a ausência da barba recém cortada que o tornava diferente aos meus olhos, não vi que ele estava a envelhecer, as análises… tinha-as feito uns dias antes. Agora não era ele, mas antes uma sombra do que fora. A médica, com o resultado dos exames em cima da secretária, recebe-me com palavras que eu não entendo, pergunto-lhe o que quer dizer e ela explica-...

Apagão

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  Com o apagão de ontem ficámos a saber: 1. Que a desactivação das centrais de Sines e do Pego foi uma grande ideia de António Costa; 2. Que ir para Presidente do Conselho Europeu também foi uma excelente ideia de António Costa; 3. Que basta os espanhóis levantarem um dedo que Portugal torna-se num país Subsariano, sem água, luz, comunicações, mobilidade e com acesso restrito a bens alimentares 4. Que basta os franceses levantarem um dedo que Portugal torna-se num país Subsariano, sem água, luz, comunicações, mobilidade e com acesso restrito a bens alimentares; 5. Que basta alguém com um alicate na mão que Portugal torna-se num país Subsariano, sem água, luz, comunicações, mobilidade e com acesso restrito a bens alimentares; 6. Que é nas noites mais escuras que se vêem mais estrelas; 7. Que a Protecção Civil só aparece quando chove e quando há câmaras de televisão por perto; 8. Que há vida para além do sofá; 9. Que o síndrome do papel higiénico continua latente em...