Eleições Presidenciais 2015, uma análise ao perfil dos candidatos (quando ainda me dava ao trabalho)

 


Como toda a gente já deve ter reparado sempre me pautei por ser uma pessoa muito conscienciosa dos meus deveres cívicos, nomeadamente e muito particularmente no que concerne à vida política deste país pelo que já me encontro em plena análise das personalidades sobre quem o meu voto presidencial irá recair no próximo dia 14 e Janeiro

Nesta profunda análise tento esquecer o partido que suporta a candidatura e o ruído supérfluo que se gera em volta de cada candidato para só me debruçar sobre o âmago da questão, o que realmente interessa. 

Sem qualquer ordem específica, a não ser ter dado prioridade as senhoras como o deve fazer um cavalheiro, debrucei-me primeiro sobre a Maria de Belém. Ora bem, a Maria de Belém... não serve! 

E não serve porquê, poderão perguntar. Não serve porque se chama Maria de Belém e ter uma Maria de Belém em Belém não soa bem! Causa confusão nas conversas de autocarro. -

 É pá já viste aquela gaja que agora está em Belém?

 - Quem?

 - A Belém! -

 Hein? 

- Sim, a Belém, aquela que está em Belém 

- Ah, a Belém de Belém. O que tem? 

- É uma filha da mãe. 

- Ah, está bem! 

Com tantos bléns, bléns poderá parecer um congresso de carros eléctricos que resolveram juntar-se em protesto em Belém a fazer blém, blém com as campainhas. 

Outro inconveniente é a senhora ser pequenita, mesmo pequenita, o que não dá jeito nenhum aos fotógrafos que fazem as fotografias dos chefes de estado porque para apanharem a cabeça de uns, cortam o corpo à Maria de Belém, para não cortarem o corpo à Maria de Belém teriam de cortar a cabeça aos outros. 

Portanto descartada! 

Depois temos a Marisa Matias, essa simplesmente não a quero ver em Belém, não quero pronto! É um desperdício! Penso que a cachopa ficava muito melhor em minha casa, até porque é bonita e combina com as cortinas. 

Passamos a Marcelo Rebelo de Sousa, vulgo o Professor, vulgo professor Sabichão, aquele do jogo em que fazíamos uma pergunta, rodávamos o boneco e ele invariavelmente apontava para a resposta certa com a sua bengalinha

A verdade é que não consigo ver o senhor como Presidente da República. Não é que não pense que que ele ficava bem em Belém, porque ficava. Mas como Buttler. O que querem? Tenho por mim que  ele tem o perfil perfeito para mordomo, para presidente não. Vejo-o a abrir a porta do palácio e o mais alto dignatário de uma qualquer república olhar para ele e pedir para ir chamar o senhor presidente e de caminho que lhe traga uma chávena de chá. 

Olho para ele e lembro-me logo do anúncio do Ferrero Roche com umas entrelinhas que já nos passaram a todos pela cabeça.. 

- Ambrósio, apetece-me algo. – diz a senhora traçando a perna. 

-Tomei a liberdade de pensar nisso, senhora 

- Ah, um Ferrero Roche… que bom…(totó). 

- Disse alguma coisa minha senhora? 

- Não, não. Estava a falar com os meus botões… (nem sei como conseguiste ter filhos imbecil). 

A seguir navegamos para o Sampaio da Nóvoa. Sampaio da Nóvoa é… Sampaio da Nóvoa é…não sei o que ele é, procurei na wikipedia e pelos vistos o senhor tem muitos doutoramentos, reitoramentos e é muito conhecido por toda a gente. Por toda a gente menos por mim que antes de ele ser candidato a presidente nem sonhava que ele existia mas um homem que não teve pelo menos uma vez problemas com a justiça nem andou nas bocas do mundo por qualquer suspeita de favorecimento não tem currículo para ser presidente e por isso não terá o meu voto. 

Paulo Morais, ex vice presidente da Associação Transparência e Integridade, só isto diz tudo! Absoluta falta de currículo. Fosse ele ex vice presidente de Associação para a Corrupção e Crimes 

de Colarinho Branco teria o meu voto, assim não. Estou farto de impreparados! 

Edgar Siva, ex padre e licenciado em Teologia. Ora aí está uma boa opção porque nos últimos anos a expressão .”Valha-me Deus” tem sido a que mais andou na boca dos portugueses. Mas primeiro padre e depois comunista? Não estou bem a ver a ligação. Como se processou a transição? O Edgar padre estava na igreja a pensar na vida e lá pensou: “Epá isto não está a dar nada se calhar vou mas é para comunista”? Hummmm, algo não está bem. Ponho reservas. 

Vitorino da Silva Rocha e Silva, não conhecem? E se eu disser Tino de Rans? Ahhhhhhhh, esse já conheçam não ê? Mestre calceteiro seria sem dúvida uma boa aquisição para Belém… isto é, para quem não se importe de ver o palácio cheio de nódoas de chouriço e cascas de laranja pelo chão. Eu importo-me e confesso que ver um presidente a passear-se nos jardins do palácio com camisa de alças e calças de fato de treino causa-me algum desconforto. 

Finalmente e porque já me doem os olhos, e ao braços por estar a escrever com uma gata em cuma da barriga, José Pedro Simões, funcionário bancário, que vive lá para Castelo Branco ou assim e que se quer afirmar como a “voz do interior”.  

Estimado senhor Simões, queira saber que por circunstâncias da vida e da prática do skate já passei umas temporadas internado num hospital público e quer acredite, quer não, durante aquelas longas noites tivesse muitas oportunidades de ouvir “vozes do interior” que não me deixaram saudades nenhumas.

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