O abimbalhismo da educação
De acordo com um estudo publicado pelo Ministério da Educação, o ano em que se registam mais retenções é o 2.º ano do Ensino Básico pelo simples facto de os meninos não saberem ler.
Se juntarmos a este resultado o facto de que para o Ministério da Educação saber lêr, que tem como consequência a implicação directa de transição automática para o ano seguinte, significa que o instruendo sabe juntar as duas sílabas da palavrá “pópó”, as conclusões são assustadoras.
Pois é, os bambinos são sabem, nem querem, aprender a ler. Não compreendem a necessidade que os adultos sentem de sujar as folhas de papel com aquelas garatujas esquisitas e que dão muito trabalho a decifrar.
Adivinha-se agora a criação de grupos de trabalho, formado por professores, psicólogos infantis, uns quanto doutorados em sociologia e um especialista em coçar tomates, para dar outro rumo à situação. Provavelmente chegarão à conclusão que “pópó” será uma palavra muito complexa para servir de bitola e sugerirão que todos os alunos que distingam a letra “a” de um patinho a nadar sejam considerados aptos para todo o serviço, ou, como quem diz, aptos para fazer o exame de admissão à faculdade.
Ninguém chegará conclusão que o problema estará na abimbalhização generalizada que afecta a sociedade.
Nos pais abimbalhados que são servos incondicionais de uns putos malcriados e cada vez mais exigentes que, mal saem da escola, enterram o focinho no telemóvel até chegarem às respectivas maisons e lá chegados e com um donut entre as bochechas porque uma carcaça demora muito a comer, agarram-se de imediato à wii, à playstation, ou ao computador onde vão ficar até à noite. E os pais olham embevecidos e pensam, "coitadinhos, vem cansado da escola deixem-o lá descansar".
No Ministério da Educação abimbalhado que traça metas de aprendizagem ridículas e que permite que os manuais escolares contenham matérias dignas do Jardim Infantil para que a transição se faça de forma suave e não traumatize os pequenotes.
Na abimbalhização dos professores, que agora não passam de uns paus mandados do Ministério e que não têm autorização para abrir os olhos à má educação dos infantes sem que lhes seja aberto um processo disciplinar, ou que envolva uma deslocação em massa dos pais abimbalhados à escola para fazer queixa da brutalidade do professor que deixou marcas indeléveis no espírito moldável da criança. E que para dar educação estão lá eles.
Na abimbalhização dos programas de TV e dos filmes para crianças e jovens que desistiram de usar legendas para passarem a ser dobrados facilitando a vida de imensos amigos que vão ganhando uns trocos fazendo vozes acriançadas sempre iguais mas remetendo outras vozes como a de Mel Blank para o esquecimento.
A sociedade tornou-se uma ditadura onde os brandos costumes, o facilitismo e o politicamente correcto se sobrepõem a tudo e a todos. Depois, de quando em quando, vêm estudos idiotas dizer o que todos nós já sabíamos

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