Germil
O rapazola, que em França deve ser pasteleiro, em Portugal, para o casamento na merdaleja é um rei, veste calça justa que lhe desce até à uma mão travessa acima dos artelhos, camisa branca apertada na cintura, laçarote vermelho e sapatos castanhos pontiagudos que lhe transformam o 41 que calça num 48 que o anunciam 2 minutos antes do seu corpo magro entrar no café. Do cabelo cortado curto dos lados à futebolista de província , descem-lhe duas patilhas afiadas em bico até meio da orelha.
Num pulso badala-lhe uma pulseira grossa em prata, no outro um relógio do tamanho do Big Ben. Conduz, à vez, dois carros em alta velocidade pelas ruas empedradas e apertadas da aldeia, um Fiat 500 e um Opel Vectra, ambos novos, a brilhar quase tanto como os brilhantes nas unhas da consorte ou da irmã, não se percebe bem, que está a menos 1 metro dele com um vestido vermelho, justo e que lhe dá quase aos pés onde umas sandálias pretas, de salto grosso seguras por uma tira em volta do tornozelo deviam ver outras dez unhas pin adas da mesma cor do vestido. Estas não têm brilhantes. .
Na segunda voiture o mancebo de laçarote mandou instalar, ainda em França, um aparelho que lhe dá luz por baixo e, quando acelera, faz o som de uma sirene da polícia, mas mais baixinho, só para que os conterrâneos e as vacas se apercebam da sua aproximação e possam apreciar com o devido respeito e admiração o seu sucesso em terras de França. Deve ser, imagino, a grande moda entre os azeiteiros franceses.
Pena é que, sem sirene ou sem sirene, com carro novo ou sem carro novo, sem laçarote ou com laçarote e com ou sem patilhas afiadas, quando passa, pneus e sapatinhos castanhos de bico passam por cima de bosta de vaca como os meus e de todos os outros.

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