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Eclipse 2026 - Conselhos

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 Conselhos para quem quer ver o eclipse solar – O que deve e o que não deve fazer. Antes do eclipse  Escolha um lugar tranquilo com vista privilegiada, tal como um jardim onde decorra uma aula de Yoga ou um Gínásio de Core collective para mulheres. Evite fortemente ginásios de Pilates e piscinas com aulas de Hidroginástica (pergunte sempre antes de entrar) Evite as praias da linha de Cascais e muito especialmente a praia de Carcavelos, porque os pontos pretos que passam à frente do sol não são a Lua Durante o eclipse Em vez dos óculos de protecção ISO 12312-2025 que lhe dão um ar de contor pop rock dos anos 70, coloque os Ray Ban com elegância, trace a perna e relaxe num banco. Alguns poderão dizer-lhe para olhar para o sol. Não o faça em caso algum e aprecie devidamente o espectáculo que se desenrola à sua frente.  Se mais tarde quiser ver um eclipse passe com uma tampa de um tacho à frente do sol que o efeito é o mesmo Evite expressões como “Valha-me Deus”, especialment...

Eu, parvo, me confesso

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  Segundo consta, quando a minha avó Maria me viu abrir os olhos para este mundo, as suas primeiras palavras terão sido “Não será um homem grande mas será certamente um Grande Homem”. E durante a minha infância foram-me repetindo regularmente esta frase epistolar como se tivesse sido o próprio Nostradamus a proferi-la e, como tal, absolutamente inquestionável, pelo que se me adivinhava um futuro de Grandes Obras que inevitavelmente me colocariam à mesma altura, ou mesmo mais alto ainda, que as mais eméritas figuras da História da Humanidade.  Como ainda era criança não sabia bem em que área é que me viria a destacar, mas se assim me tinha sido fadado pela minha avó, nalguma das sete artes seria ou até mesmo, dada a minha grandeza, poderia até dar início a uma arte até então desconhecida. Já na pré adolescência, nas longas tardes Verão que se alongavam ainda mais pela ausência dos meus amigos que tinham ido veranear para algum lado e me deixavam a mim os sobejos de umas viagens...

Hoje não me falem em Deus

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 Hoje não me falem eu Deus, Se Deus existisse não permitiria que te acontecesse isto, não permitiria que várias vidas tivessem terminado hoje, a tua, a dos teus pais e a de quem te falhou por negligência, cansaço ou simplesmente porque é humana. Não acredito que vás para o céu porque hoje para mim não há céu, se existisse também não te quereria lá porque seria o antro de um velho casmurro e impiedoso que não se condoeu contigo nem com todos os que destruiu com um simples voltar de costas. Hoje não me falem de Deus

Puto

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  Na sala, envolvida numa penumbra quase escuridão, pessoas escuras, vestidas de escuro, velavam em vida o corpo que repousava no sofá.  As palavras, quando as diziam, eram sussurradas como se tivessem receio que uma nota mais alta tivesse o condão de acelerar a doença. “Estás bem?”, “Queres mais uma almofadinha?”. E o cansaço espelhado naqueles olhos de quem sabe e ao mesmo tempo recusa a verdade. “Agora vou só fechar os olhos um bocadinho” Fecha sim, fecha os olhos. Retira-te para um sítio onde não haja pessoas escuras, vestidas de escuro a velarem-te quando ainda respiras. Retira-te para um sítio com sol. Olha, para o Malhão onde costumávamos ir à pesca…. onde costumávamos ir à pesca… mentira! Fui contigo à pesca quatro ou cinco vezes porque ainda havia muito tempo. Mentira, não havia. “Eu sei que vou morrer!”, dizes com uma calma e uma certeza que desarma e destroi. Não há força para te contradizer E eu sem nada sentir, ou pelo menos sentir com a grandeza que a situação ex...

Na ponta da língua

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  Há momentos que nos ficam! Desta vez puxei para fora e soprei o pó a quatro recordações que guardava dentro do meu bau de memórias. São elas quatro respostas fulminantes que ocupam ae exequo a pole posicion das melhores de sempre. Obviamente, para quem ler estas linhas e não vivenciou a situação, poderá passar desapercebido o impacto da boca mas, como escrevo para mim próprio, não me interessa absolutamente nada.  A primeira; situo-a nos tempos em que o clã vendia aos Sábados na Feira da Ladra para depois, pela tarde fora, ir estoirar os proveitos na Feira Popular a andar de Montanha Russa e a comer farturas até à morte. Final da manhã e arrumadas as tralhas não alienadas às costas, Paulinho, Jacinto, e eu preparamo-nos para regressar a casa. Sentado no chão e encostado ao gradeamento fica ainda o Zé "Tomate" com esperança de umas vendas de última hora. Atrás dele, a namorada massaja-lhe amorosamente os ombros. Jacinto “O Cergal”, com a calça a fugir-lhe do cu, passa por el...

25 de Abril, sempre... mas sejam rápidos

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  Eu não sei a vossa opinião sobre o 25 de Abril mas, a meu ver, aquilo pareceu-me e ainda me parece, ter sido uma coisa muito mal enjorcada. Não cabe na cabeça de ninguém que uma revolução para por termo a uma ditadura de 40 anos, comece à meia-noite de um dia e no dia seguinte, menos de 24 horas passadas, já esteja tudo resolvido com a rendição do Governo. Ainda por cima foi tudo mal combinado, pois quando o Salgueiro Maia foi ao quartel do Carmo fazer de mau e exigir a rendição do Marcello (com dois ll) este respondeu-lhe com toda a tranquilidade que se pode exigir numa situação destas:  “olha, filho, tarde piaste. Já me rendi ao Spínola ainda há bocadingo. Podias ter avisado que vinhas.”, o que deve ter aborrecido imenso o homem pois ia ali todo entusiasmado a pensar que tinha tido a ideia primeiro e pimba! O velhadas de monóculo  tinha-se adiantado! Uma autêntica confusão! Na minha opinião uma revolução que se preze dura pelo menos 3 ou 4 dias, para dar tempo a que a...

De cabeça perdida

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 Aos domingos pela manhã e enquanto não posso por a televisão aos tiros para cá e para lá por causa do barulho, costumo passar pelas notícias da CMTV. Em primeiro lugar porque há uma locutora giríssima e em segundo lugar por que me dá prazer ouvir a retórica dos repórteres de província a fingirem-se eloquentes e armados de uma expressão assarapantada a repetir a mesma história durante 10 minutos para ver se ocupam tempo de canal. Mesmo que a notícia seja pequenina e se possa transmitir com fidelidade em duas frases, eles teimam em ocupar 12 minutos do seu tempo de antena e da nossa paciência para dizer que a D. Carlota atravessou a estrada fora da passadeira e foi colhida por uma bicicleta conduzida à mão por um amola tesouras que fugiu a sete pés deixando para trás três varetas de guarda chuva e uma flauta com que ele anunciava a sua presença. Mas o que me leva hoje a escrever estas linhas não é a menina bonita nem  os repórteres assarapantados, mas uma notícia transmitida co...