Eu, parvo, me confesso
Segundo consta, quando a minha avó Maria me viu abrir os olhos para este mundo, as suas primeiras palavras terão sido “Não será um homem grande mas será certamente um Grande Homem”. E durante a minha infância foram-me repetindo regularmente esta frase epistolar como se tivesse sido o próprio Nostradamus a proferi-la e, como tal, absolutamente inquestionável, pelo que se me adivinhava um futuro de Grandes Obras que inevitavelmente me colocariam à mesma altura, ou mesmo mais alto ainda, que as mais eméritas figuras da História da Humanidade. Como ainda era criança não sabia bem em que área é que me viria a destacar, mas se assim me tinha sido fadado pela minha avó, nalguma das sete artes seria ou até mesmo, dada a minha grandeza, poderia até dar início a uma arte até então desconhecida. Já na pré adolescência, nas longas tardes Verão que se alongavam ainda mais pela ausência dos meus amigos que tinham ido veranear para algum lado e me deixavam a mim os sobejos de umas viagens...