A Sueca


Nunca percebi esta paixão que as pessoas têm por jogos de cartas, muito principalmente pelo jogo da suéca que junta de uma só vez quatro improdutivos à volta de uma mesa a deitar cartas umas por cima das outras. Até os simbolos com que assinalam as vitórias num pedaço de papel de mercearia me irritam. Bolinhas em cima de riscos dispostos em forma de espinha de peixe.

E a gíria? Seca, assistir, renúncia, chita… ou aquela linguagem gestual de bater com o nó dos dedos no tampo da mesa….

Não é que nunca tenha participado neste ritual de moda predominantemente masculina, mas nunca gostei. Nem de suéca, nem de bisca, nem de king, nem de copas, nem de burro em pé, nada! Nem sequer os jogos de Casino me atraem. 

Uma vez fui rebocado pelos meus amigos ao Casino de Vilamoura, ou lá onde era, e joguei duas moedas numa slot machine. Nem o coração se me buliu ao ver as melancias e os cifrões a andar à roda até se deterem numa moeda, num cifrão e num limão e zero moedas a sair. A parte mais interessante, para além de ver o segurança olhar com desconfiança para as minhas havaianas, foi quando uma velhota de indicador já acinzentado pelo roçar das moedas me pôs a jogar por ela numa das máquinas enquanto ia buscar mais trocos. Foram 10 minutos idilicos a apreciar os cromados da máquina.

Mas a suéca, senhores, que estucha! 

Quando jogava uma carta qualquer que espelhava o meu total desinteresse pela arte, lá vinham os comentários azedos do meu parceiro: “mas tu não contas as cartas?”,  não percebi a indirecta, sim, já tinha contado uma vez, eram quarenta  e daí presumi que seriam sempre quarenta as cartas no baralho e nunca mais me tinha dado ao trabalho de as voltar a contar.

Ou então quando batiam com o tal nó dos dedos na mesa “não me viste bater com a carta na mesa? Quer dizer que estava seca e podias jogar a manilha à vontade!”. Achava estúpido! Se uma pessoa pode fazer um sinal conhecido por toda a gente para indicar que a carta está seca, porque não se instituir que esse sinal fosse simplesmente dizer que “está seca!”.

O mesmo se passava quando levavam o dedo ao nariz “Não viste que levei o dedo ao nariz? Queria dizer para continuares a destrunfar! Estavas a pensar o quê?”. Estava a pensar que era falta de higiene, pensei eu.

Uma vez, crente que já descodificara todos estes másculos sinais secretos, joguei com confiança uma manilha de ouros quando o meu parceiro levou as mãos aos tomates…. Desilusão, era mesmo só comichão.

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