Crédito mal parado


Há cerca de 26 anos, mais mês, menos mês, estava eu sentado numa cadeira da Caixa Geral de Depósitos à espera da minha vez para me fazerem uma simulação de crédito à habitação.

Depois das tradicionais duas horas de espera passadas a ler papelinhos com percentagens De TAE, TAEG e juros, lá me chamaram ao gabinete asséptico onde aquela gente trabalha rodeada de um absoluto silêncio que só ousam quebrar com os sussurros que nos dirigem.

Após ter dito ao que vinha, o que provocou um arquear de sobrancelhas ao funcionário que interpretei como um "está bem, está", lá começou o seu processo inquisitorial: Como me chamava, o número do BI, o número de identificação social, o número da segurança social, número de sócio do Benfica, data de nascimento, recibo de vencimento, habilitações literárias, se era casa de primeira ou segunda habitação, se tinha fiador, quem eram, o que faziam e se participavam nalgum rancho folclórico, se iam à missa ou ouviam discos do José Cid.

Ao fim de mais de uma hora de inquérito e mais uma de cliques em rato e um infindável, "peço desculpa mas o sistema está lento", lá sai da repartição com a firme promessa de dali a um mês, mais coisa menos coisa, me dariam a resposta. Está claro que nunca mais lá pus os pés e ainda hoje lá deve estar o funcionário a ver e a rever o risco que eventualmente o meu emprestimo poderia acarretar ao seu empregador.

Foi por isso com surpresa que ouvi que  CGD é o banco, a par do antigo BES, com mais crédito mal parado, leia-se grandes dívidas, e pergunto-me se não terei sido eu o responsável por esta situação ao ter ocupado tanto tempo daquele funcionário com a avaliação de risco do meu empréstimo


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