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Hoje não me falem em Deus

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 Hoje não me falem eu Deus, Se Deus existisse não permitiria que te acontecesse isto, não permitiria que várias vidas tivessem terminado hoje, a tua, a dos teus pais e a de quem te falhou por negligência, cansaço ou simplesmente porque é humana. Não acredito que vás para o céu porque hoje para mim não há céu, se existisse também não te quereria lá porque seria o antro de um velho casmurro e impiedoso que não se condoeu contigo nem com todos os que destruiu com um simples voltar de costas. Hoje não me falem de Deus

Puto

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  Na sala, envolvida numa penumbra quase escuridão, pessoas escuras, vestidas de escuro, velavam em vida o corpo que repousava no sofá.  As palavras, quando as diziam, eram sussurradas como se tivessem receio que uma nota mais alta tivesse o condão de acelerar a doença. “Estás bem?”, “Queres mais uma almofadinha?”. E o cansaço espelhado naqueles olhos de quem sabe e ao mesmo tempo recusa a verdade. “Agora vou só fechar os olhos um bocadinho” Fecha sim, fecha os olhos. Retira-te para um sítio onde não haja pessoas escuras, vestidas de escuro a velarem-te quando ainda respiras. Retira-te para um sítio com sol. Olha, para o Malhão onde costumávamos ir à pesca…. onde costumávamos ir à pesca… mentira! Fui contigo à pesca quatro ou cinco vezes porque ainda havia muito tempo. Mentira, não havia. “Eu sei que vou morrer!”, dizes com uma calma e uma certeza que desarma e destroi. Não há força para te contradizer E eu sem nada sentir, ou pelo menos sentir com a grandeza que a situação ex...

Na ponta da língua

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  Há momentos que nos ficam! Desta vez puxei para fora e soprei o pó a quatro recordações que guardava dentro do meu bau de memórias. São elas quatro respostas fulminantes que ocupam ae exequo a pole posicion das melhores de sempre. Obviamente, para quem ler estas linhas e não vivenciou a situação, poderá passar desapercebido o impacto da boca mas, como escrevo para mim próprio, não me interessa absolutamente nada.  A primeira; situo-a nos tempos em que o clã vendia aos Sábados na Feira da Ladra para depois, pela tarde fora, ir estoirar os proveitos na Feira Popular a andar de Montanha Russa e a comer farturas até à morte. Final da manhã e arrumadas as tralhas não alienadas às costas, Paulinho, Jacinto, e eu preparamo-nos para regressar a casa. Sentado no chão e encostado ao gradeamento fica ainda o Zé "Tomate" com esperança de umas vendas de última hora. Atrás dele, a namorada massaja-lhe amorosamente os ombros. Jacinto “O Cergal”, com a calça a fugir-lhe do cu, passa por el...

25 de Abril, sempre... mas sejam rápidos

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  Eu não sei a vossa opinião sobre o 25 de Abril mas, a meu ver, aquilo pareceu-me e ainda me parece, ter sido uma coisa muito mal enjorcada. Não cabe na cabeça de ninguém que uma revolução para por termo a uma ditadura de 40 anos, comece à meia-noite de um dia e no dia seguinte, menos de 24 horas passadas, já esteja tudo resolvido com a rendição do Governo. Ainda por cima foi tudo mal combinado, pois quando o Salgueiro Maia foi ao quartel do Carmo fazer de mau e exigir a rendição do Marcello (com dois ll) este respondeu-lhe com toda a tranquilidade que se pode exigir numa situação destas:  “olha, filho, tarde piaste. Já me rendi ao Spínola ainda há bocadingo. Podias ter avisado que vinhas.”, o que deve ter aborrecido imenso o homem pois ia ali todo entusiasmado a pensar que tinha tido a ideia primeiro e pimba! O velhadas de monóculo  tinha-se adiantado! Uma autêntica confusão! Na minha opinião uma revolução que se preze dura pelo menos 3 ou 4 dias, para dar tempo a que a...

De cabeça perdida

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 Aos domingos pela manhã e enquanto não posso por a televisão aos tiros para cá e para lá por causa do barulho, costumo passar pelas notícias da CMTV. Em primeiro lugar porque há uma locutora giríssima e em segundo lugar por que me dá prazer ouvir a retórica dos repórteres de província a fingirem-se eloquentes e armados de uma expressão assarapantada a repetir a mesma história durante 10 minutos para ver se ocupam tempo de canal. Mesmo que a notícia seja pequenina e se possa transmitir com fidelidade em duas frases, eles teimam em ocupar 12 minutos do seu tempo de antena e da nossa paciência para dizer que a D. Carlota atravessou a estrada fora da passadeira e foi colhida por uma bicicleta conduzida à mão por um amola tesouras que fugiu a sete pés deixando para trás três varetas de guarda chuva e uma flauta com que ele anunciava a sua presença. Mas o que me leva hoje a escrever estas linhas não é a menina bonita nem  os repórteres assarapantados, mas uma notícia transmitida co...

A rapaziada

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  Sentado nas costas do banco de jardim que ficava por baixo da Sperm Tree, árvore que acolhia a malta por aqueles tempos e que recebera aquele distinto apelido pelo característico aroma que libertava, solto uns últimos acordes da harmónica antes de a guardar no bolso do blusão de ganga coçada. “Toca mais, toca mais”, pede o Mota.  Ninguém sabe como é que o Mota passou a fazer parte do nosso grupo de amigos, subia todos os dias de uma Moscavide cinzenta e de céus estreitos onde morava, para passar um pouco do seu tempo naqueles Olivais de amplos céus azuis e verdes relvados a perder de vista. Não sei porque me pediu para continuar a tocar, a única coisa que eu conseguia fazer era arrancar uns acordes tristes daquele instrumento que davam expressão ao que me corria na alma por aqueles meus 20 anos de juventude perdida. Faltava-me algo, já naquela altura sentia que me faltava um bocado de mim, sempre faltara, e, nos momentos de maior solidão ou introspecção como lhe queiram cham...

Estações de Metro e da vida

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  Os olhos divagam, perdidos, por outros olhos perdidos que vêem muito para além da carruagem do metro apinhada de gente. Vêem para o mundo que cada um tem dentro de si, para o que aconteceu no trabalho e para o que acontecerá mais tarde em casa. Fazem-se contas ao dinheiro que não chega, aos filhos que acordaram adoentados e para o resultado dos exames médicos que se fizeram na semana passada… se ao menos a dura realidade não passasse de um sonho que desaparecesse com um simples abanar de cabeça ao chegar à estação. Bela Vista! Dois olhares que se cruzam, passam um pelo outro e subitamente votam atrás como se uma memória longínqua os tivesse arrancado ao torpor do quotidiano e os lançasse numa viagem ao passado. Olhos que se prendem noutros olhos que há muitos, muitos anos se perderam um no outro. Boa sorte! Duas palavras e dois beijos na cara foram o seu presente de despedida naquela tarde quente do mês de Junho. Um seguia em frente nos estudos para tentar ser qualquer coisa na v...

Dia do Pai

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  Pai, tenho saudades.  Sabes que eu nunca gostei de pirolitos, nem de qualquer outra bebida com gás, mas eu queria tanto o olho de boi que estava dentro daquela garrafa… Hoje é me impossível olhar para uma garrafa de pirolito sem me lembrar de ti e daquela pioneira das roulottes que se encaixava num passeio à saída de Moscavide onde me compravas um pirolito e uma fartura. A fartura descia, o pirolito é que não. O gás subia-me ao nariz e dava-me vontade de espirrar. Mas eu gostava tanto daquele olho de boi…  Já não é Verão, e ao fim da tarde já sopra aquela frescura que nos arrepia os braços logo abaixo da manga da t shirt e nós sentados naquelas cadeiras de ferro, eu com o gás do pirulito a subir-me ao nariz e tu de volta com a tua cervejinha, loira, com borbulhinhas de frescura a subir dentro do copo que levavas à boca delicadamente levantando o dedo mindinho  O dono da roulotte, de bigode à Errol Flinn, passa o pano no alumínio do balcão e fala com dois clientes q...

A uma amiga perdida

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  Deitada na cama, de olhos esgazeados, Silvia olha o tecto branco do quarto. Aquele mesmo tecto que viu tantas outras noites, umas vezes de sorriso nos lábios, outras de lágrimas nos olhos e hoje de uma forma diferente, despegada e talvez um pouco triste.  Quando era pequena e corria descalça pela relva com a saia plissada branca e vermelha esvoaçando atrás de si, este dia parecia-lhe muito longe, inatingível até. Também, aos 10 anos quem pensa neste dia? Aos dez anos… tem agora cinquenta e sete, e pelo caminho foi perdendo os sonhos e as gargalhadas, as corridas pela relva foram substituidas pela corrida para o autocarro e os dias carregados de verde e azul celeste, por um lugar obscuro num Ministério cinzento. Cinquenta e sete de vida e quase quarenta perdidos. Sente uma lágrima começar a formar-se no canto do olho direito e depois de bem cheia, começar a descer silenciosa pelo rosto em direcção ao ouvido. É quente e sabe-a salgada, tantas vezes as saboreou. O tecto parece-...

Dia dos Namorados

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  E pronto! Passados 365 dias lá passámos nós outra vez pelo dia mais parvo do ano! 14 de Fevereiro, Dia dos Namorados! Dia do pessoal ir a correr aos centros comerciais com um único pensamento “epá, deixa-me lá ir comprar qualquer merda para aquela gaja!”, isto porque, logo pela manhã, descobriu-se meio escondido entre as camisolas da companheira um pequeno embrulho muito bem enfeitado com um laçarote e uma etiqueta em forma de coração. Sim, porque as mulheres lembram-se sempre com devida antecedência de ir ao centro comercial “comprar qualquer merda para aquele gajo!”. Trocadas as merdas, mais ou menos caras conforme a disponibilidade financeira, dá-se o beijinho da ordem e o “gajo” vai para o sofá enquanto a “gaja” lá fica a arrumar a cozinha como nos outros 364 dias do ano. É tão fácil dizer que amamos… basta ter uns trocos no bolso e ir ao Centro Comercial que lá o amor vende-se em pequenos pacotes muito bem enfeitados com um laçarote e uma etiqueta em forma de coração! No Ale...

Sir Arthur Conan Doyle

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  Derivado ao briolo que se faz semtir lá fora que nos convida para uma noite repousante à lareira e à falta de um filme de pancadaria na televisão, dei por mim a pensar que livros remetem para uma noite passada à frente do fogo? Dois autores vieram-me de imediato à mente, Jules Verne e Sir Arthur Conan Doyle. Como o primeiro demora sempre um pouco até ocorrer uma tempestade que nos faça apreciar o calor que estamos a gozar, optei por Doyle e o seu inigualável Sherlock Holmes que em duas oadinas. Se não menos, nos coloca nas ruas húmidas e nevoentas de uma Londres vitoriana de caleches e tipoias que nos obrigam a viajar enrolados em mantas de viagem e a tomar grogues quentes. Como os pensamentos e conversas são como as cerejas, vermelhos e com caroço, veio-me à memória uma história absolutamente verídica que se passou com o autor numa das suas deslocações a este cantinho à beira mar plantado e da qual muito gosto. Em primeiro lugar porque nunca aconteceu e em segundo lugar porque n...

O Açordas

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  Por vezes gosto de pensar em mim Como um fiel depositário de recordações, Pedaços de vida que alguém deixou a congelar Na criogenia da minha memória. Hoje, sem saber porquê, recordei o Açordas Demorei algum tempo até conseguir recordar o seu nome verdadeiro. Alberto, chamava-se Alberto! Mas para nós era, desde sempre. o Açordas. Puto beirão, rijo e de cara sardenta o seu destino seria traçado logo de criança pequena. Sem posses para sustentar mais um filho, os pais, lá de uma pequena aldeia da Beira Interior, o entregam à criação de uns tios de Lisboa.  Nunca o vimos lamentar-se de nada. Um homem é como tem de ser! Puto rijo cerrava os dentes e metia sempre o pé à bola. Porque um homem tem de ser rijo e não pode virar as costas a nada. Um homem não chora. Resistia a tudo o Açordas. Resistia a tudo, menos à corrente de um rio da sua terra que um dia, tendo-o de visita,  o arrastou nas suas águas para um lugar onde as pessoas já não precisam de dar o corpo às bolas chutad...

Eleições Presidenciais 2015, uma análise ao perfil dos candidatos (quando ainda me dava ao trabalho)

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  Como toda a gente já deve ter reparado sempre me pautei por ser uma pessoa muito conscienciosa dos meus deveres cívicos, nomeadamente e muito particularmente no que concerne à vida política deste país pelo que já me encontro em plena análise das personalidades sobre quem o meu voto presidencial irá recair no próximo dia 14 e Janeiro Nesta profunda análise tento esquecer o partido que suporta a candidatura e o ruído supérfluo que se gera em volta de cada candidato para só me debruçar sobre o âmago da questão, o que realmente interessa.  Sem qualquer ordem específica, a não ser ter dado prioridade as senhoras como o deve fazer um cavalheiro, debrucei-me primeiro sobre a Maria de Belém. Ora bem, a Maria de Belém... não serve!  E não serve porquê, poderão perguntar. Não serve porque se chama Maria de Belém e ter uma Maria de Belém em Belém não soa bem! Causa confusão nas conversas de autocarro. -  É pá já viste aquela gaja que agora está em Belém?  - Quem?  -...

Azul mirtilho

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 É preciso ter cuidado com as mulheres! É preciso ter cuidado com as mulheres, pronto! À primeira vista parecem umas criaturas adoráveis e simpáticas mas desenganem-se, estes seres têm o condão de nos tornar a vida num inferno. Mestres na arte da manipulação, dominam a arte de memorizar as nossas palavras para mais tarde as utilizarem contra nós, naturalmente que, devidamente desenquadradas do contexto e deturpadas de intenções. Portanto, a nós, homens, mais vale estar calado e fazer o que nos dá na real gana sem lhes dar cavaco. Um pelo da barba no lavatório, é caso de indignação a nível nacional. Porque somos uns porcos, porque estão lá as escravas para limpar… enfim.  Sim, que os rolos de cabelo que deixam na escova e no ralo da banheira são devidamente omitido do relato.  E o homem, se tiver alguma experiência na matéria, também não toca neste assunto e deixa morrer a questão  que ao fim de uma semana ou duas ela acaba por deixar de falar naquilo. Já os incautos ...

O Homem todo omnipotente

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  Todos os dias umas nano formigas passeiam em cima da minha secretária a fazer pela vida. Ao telefone, detecto uma à minha esquerda ziguezagueando à procura do pequeno almoço Distraído faço rolar a caneta sobre o tampo da secretária atropelando-a. Passa a caneta, fica a formiga de antenas a tactear o ar e tentando mover as patas trazeiras lesionadas. Não tenho outro remédio que não armar-me em Deus omnipotente e proceder a uma rápida eutanásia com o dedo indicador. Mesmo sem querer o homem não passa de um filho da puta!

Sim, Sim, Sim,

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  Estive ontem a ouvir em segundo plano na Antena 1 enquanto esfregava o tabuleiro do forno um programa muito interessante que se chana Cinema. Como é na rádio, não sei se se chama Cinemax ou Cine Max, no entanto e como foneticamente é igual para o caso tanto faz. Segundo depreendi, o objectivo deste programa é afastar definitivamente os ouvintes das salas de cinema tal é a maçada de ouvir aquela conversa. Ontem o convidado foi o realizador Pedro Magano e o tema recaiu sobre dois dos seus filmes que vão estrear. Um, não retive o nome, o que é uma pena pois não me permitiu reservar os bilhetes com a devida de antecedência e certamente hoje, se o tentar fazer, as sessões estariam esgotadas até ao fim da sua exibição nos cinemas. O outro filme é uma curta-metragem e chama-se Luana (recordo-me bem deste pois é o nome de uma amiga da minha filha) e irá dar hoje na RTP 2 a partir da meia-noite. Como hoje mudou a hora e o programa foi ontem, não sei se seria à meia-noite de ontem, vinte e...

Burca on, burca off

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Confesso que me tenho sentido dividido no que respeita à Lei de proibição de Burcas e Hijab em espaços públicos. Se por um lado considero o pleno direito e o respeito pela liberdade religiosa e individual de cada um, e não, não vale argumentar que “no pais deles temos que respeitar as Leis e costumes deles” porque não podemos nivelar por baixo o conceito de tolerância e democracia, por outro lado considero que o uso de burca e hijab fere os direitos e liberdades das mulheres e é com estranheza que vejo partidos de esquerda que exigem paridade e representatividade em todas as áreas da Sociedade considerem que o direito à cultura se sobreponha aos direitos das mulheres que, desde crianças, são condicionadas a aceitar o seu papel secundário numa Sociedade extremamente machista Em Portugal existem Leis que se aplicam transversalmente a toda a Sociedade e em caso algum alguma raça, etnia, religião, classe, estatuto ou cultura se pode sobrepor a elas e reclamar isenção do seu cumprimento evo...

Autarquicas 2025

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  Este ano de 2025, no Montijo, o debate ou bandeira política para as eleições autárquicas recaiu básica e fundamentalmente sobre a higiene urbana. De um lado e de outro e de outro ainda, esgrimiam-se argumentos sobre de quem era a responsabilidade da recolha de lixo e monos na cidade e nas outras zonas que embora ainda sendo cidade são consideradas zonas rurais para as quais sobra pouca atenção do edil camarário. A conversa sobre lixo foi tema de eleição nos cartazes e nas páginas das redes sociais dos candidatos cheirava a dejectos. Pensando bem até é natural, os ingleses tiveram a sua Guerra das Rosas, o Montijo teve a sua Guerra da Merda. No entanto este tema fez-me prestar um pouco mais de atenção à minha volta e efectivamente, durante o período de campanha eleitoral, oficial e não oficial, sobrepunha-se aos tradicionais arranjos e cortes de erva de ultima hora, que sempre ocorrem em época de eleições, uma falta de higiene urbana absurda, como se centenas de javalis andassem a...

O abimbalhismo da educação

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  De acordo com um estudo publicado pelo Ministério da Educação, o ano em que se registam mais retenções é o 2.º ano do Ensino Básico pelo simples facto de os meninos não saberem ler.  Se juntarmos a este resultado o facto de que para o Ministério da Educação saber lêr, que tem como  consequência a implicação directa de transição automática para o ano seguinte, significa que o instruendo sabe juntar as duas sílabas da palavrá “pópó”, as conclusões são assustadoras.  Pois é, os bambinos são sabem, nem querem, aprender a ler. Não compreendem a necessidade que os adultos sentem de sujar as folhas de papel com aquelas garatujas esquisitas e que dão muito trabalho a decifrar. Adivinha-se agora a criação de grupos de trabalho, formado por professores, psicólogos infantis, uns quanto doutorados em sociologia e um especialista em coçar tomates, para dar outro rumo à situação. Provavelmente chegarão à conclusão que “pópó” será uma palavra muito complexa para servir de bitola ...

Guilty as charged

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  Dando fé a alguns comentários que fui lendo pelo Facebook ao longo destes anos, dei conta que, por proposta de alguns comentadores que ali aparecem e de que me escuso de dizer o sexo, o Código Penal deverá muito brevemente sofrer alterações. A saber: Marido bate na esposa – Culpado, prisão perpétua Esposa bate no Marido – Inocente, coitada lá teria as suas razões. Homem viola mulher – Culpado, prisão perpétua e flagelado todos os dias na prisão Mulher viola homem – Ah,ah,ah Homem mata mulher – Culpado, prisão perpétua e mais uns dias por precaução Mulher mata homem – Inocente, pobre senhora se calhar foi de tantos maus-tratos que sofreu Homem mata o filho – Culpado, prisão perpétua por matar um ser fruto do seu sangue Mulher mata o filho – Inocente e ajuda psiquiatra porque para uma mãe fazer isso a um filho é porque está doente. É onde é que estava o pai?  Empresa dá preferência à contratação de Homem – Culpado, machismo, exige-se indemnização por danos psicológicos e uma r...