Dia dos Namorados

 

E pronto! Passados 365 dias lá passámos nós outra vez pelo dia mais parvo do ano!

14 de Fevereiro, Dia dos Namorados! Dia do pessoal ir a correr aos centros comerciais com um único pensamento “epá, deixa-me lá ir comprar qualquer merda para aquela gaja!”, isto porque, logo pela manhã, descobriu-se meio escondido entre as camisolas da companheira um pequeno embrulho muito bem enfeitado com um laçarote e uma etiqueta em forma de coração. Sim, porque as mulheres lembram-se sempre com devida antecedência de ir ao centro comercial “comprar qualquer merda para aquele gajo!”.

Trocadas as merdas, mais ou menos caras conforme a disponibilidade financeira, dá-se o beijinho da ordem e o “gajo” vai para o sofá enquanto a “gaja” lá fica a arrumar a cozinha como nos outros 364 dias do ano.

É tão fácil dizer que amamos… basta ter uns trocos no bolso e ir ao Centro Comercial que lá o amor vende-se em pequenos pacotes muito bem enfeitados com um laçarote e uma etiqueta em forma de coração!

No Alentejo profundo, o Sr. Constantino diz que não, não quer ir para um lar. Apesar de viver sozinho num casebre no meio de nenhures em que precisa de “armar” um guarda-chuva para ir à cozinha quando chove, diz que não quer ir para um lar. Quer morrer para ali encostado a uma rocha. O amor à terra é grande e a visão que me deixa a sua vontade de morrer encostado a uma rocha, ali naquelas terras que o viram nascer, não deixa de ser um tanto ou quanto poética.

Eu, cá por mim, gostava de morrer em África, numa encosta do Kilimanjaro com vista desafogada para a imensa savana africana. Invejo Denys Finch no Out of Africa.

Noutro monte alentejano, à distância de um brado, Jesuíno Coelho e a sua mulher, dançam ao som do programa da rádio Castrense. É a sua única companhia e a sua única diversão. A paisagem deslumbrante que se estende diante de si dia após dia, ano após ano, já deixou há muito de os fascinar e aos setenta anos ainda dançam um com o outro.

No monte não há Centros Comerciais, nem prendas no dia dos namorados. Há apenas uma telefonia e um casal de velhotes que dançam muito agarradinhos. 


“Inspirado na reportagem TVI Minuto de Mim”

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