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Lado errado

 Todas as fotografias têm uma história. Pelo menos as minhas têm… excepto, talvez, uma em que apareço com um copo de Gin numa mão, olhos pequeninos e um nariz de palhaço. Essa não tem história, não me lembro sequer de a ter tirado. Até duvido que seja eu. Bom, mas esta tem. Levantei-me cedinho, carreguei a minha velha 400D com a objectiva 100-300 e lá me pus eu a caminho de um local que tinha visitado a semana anterior e que, na altura, abarrotava de cegonhas. Paúl ao meio impõe-se a decisão ir pela esquerda ou pela direita? Câmara em punho e sigo pela esquerda, até porque era por ali que tinha visto o passaredo e também não ajudava que do outro lado estivesse um gajo aos tiros Mas hoje as Cigonias cigonias tinham ido gozar o feriado a qualquer lado e não se viam. Com algumas dificuldades em camuflar-me por entre vegetação, uma vez que por ali, curiosamente, não abundavam muitos arbustos com o tom laranja florescente da minha t-shirt, resolvi ficar imóvel à espera que o rouxinol do...

O velho 44

 As palavras, como tantas vezes aqui já repeti, são como as cerejas. O mesmo acontece com pensamentos produzidos por estes enfezados e diminutos neurónios que me enchem o espaço que medeia entre o parietal direito e o parietal esquerdo. Ontem, quando fazia a minha tradicional ronda pelos passeios de Lisboa, deparei-me com um acampamento de um sem abrigo que lá terá a mania de ser filósofo e ao lado da tenda, escarrapachado em gordas letras azuis sobre um cartão, tinha escrito a seguinte tirada digna de um Descartes ou de um Platão nos seus melhores dias “ Antes de julgares a forma como eu vivo, fala comigo”. Hoje, ao atribuir um número de referência a uma proposta a enviar a um Cliente, deparei-me com o conjunto de algarismos “44” e de imediato fui transportado aos meus tempos de estudante na Escola Afonso Domingues e ao nosso Professor de Sistemas Digitais, permitam-me aqui escrever com P grande numa homenagem póstuma a tão emérita personagem, 44. Chamávamos-lhe 44 porque foi ele ...

A Gaja

  Tive hoje acesso a uma página numa rede social que se intitula “A Gaja” e que, à data, possui 96.297 seguidoras. Digo seguidoras propositadamente porque duvido que existam elementos do sexo masculino a seguir esta página prenhe de futilidades. E não, não é sexismo, discriminação, misoginia ou coisa que o valha. É um facto! A mulher escreve futilidades para gajas, e daí o seu nome sugestivo da página: “A Gaja”. Só para não ficar mal na fotografia acrescento que os homens também têm interesses considerados fúteis pelo mulherio, pistons, camisas de alças picotadas, futebol e a Playboy. Mas continuando. Esta página é escrita por uma moça, chamada Raquel Costa, que, para além de ter muito bom aspecto, excepto quando acabou de acordar é, segundo creio, directora da MAGG e uma blogger com alguma fama. Os assuntos abordados são variados, abrangendo desde a simples patacoada à patacoada de grande calibre. Mas, pelos vistos, as suas frivolidades são do agrado e do interesse geral das...

Uma questão de olfacto

Na semana passada, tive a sorte de me deparar com um artigo de opinião no Facebook, em que a autora, reforço a palavra autora, divagava sobre as razões que levariam as "parrecas" das mulheres, palavra dela, a exalarem um agradável olor a maresia, muito similar ao suave aroma que sem sente quando passamos pela zona de despejos da Docapesca. Como é natural, nem sequer abri o artigo porque me pareceu maçador e, para falar verdade, nem tenho o mínimo interesse no assunto, pois seria o mesmo que saber os truques de magia do Luís de Matos. O pessoal diverte-se muito a ver o espectáculo dele no casino Estoril, mas se nos revelarem os truques, aquilo deixa de ter piada. Para além do mais não tenho autoridade para falar sobre o assunto, pois nunca tive o desprazer de me encontrar com senhoras que possuíssem tão temível dom. E ainda bem, pois já me basta o cheiro do isco quando vou à pesca.  De qualquer forma a minha opinião também não seria muito valida, uma vez que segundo a ONU, exi...

Video Assistence Referee

  O diâmetro médio da iris de um olho humano é de 12 mm, o fora de jogo tirado a Darwin que daria o 1 – 0 no derbi entre o Benfica e o Porto foi de 20 mm Mais importante que a vitória do Futebol Clube do Porto no campeonato nacional de futebol 2021/2022, foi a consolidação do êxito da introdução das novas tecnologias de apoio ao juízo dos árbitros, refiro-me naturalmente ao Vídeo Assistence Referee, displicentemente referido na gíria popular do vulgar adepto e comentador desportivo, pela sigla VAR, diminutivo que faz tanto juz á importância de tão avançada tecnologia de ponta, como o diminutivo Tó ou Chico faz juz aos nomes dos António e Franciscos desta vida. Com o apoio do Vídeo Assistence Referee tornou-se possível analisar lances capitais de uma partida de futebol e repor a verdade do jogo em lances que o árbitro respectivos auxiliares, como humanos que são, poderiam deixar passar em branco por, na altura, estarem com um olho no burro e outro no cigano, ou por outras palavras, ...

Toiros e Bichos

  Esta madrugada, numa largada na Moita, um jovem de 16 anos morreu colhido por um toiro. Segundo muitos dos canalhas que abundam pelo Facebook, no seu epitáfio deveria ler-se “E o toiro como está?”. Custa-me a crer que a humanidade esteja reduzida a isto

O Início

Sempre desejei ter um projecto.    Na altura toda a gente tinha um, e por conseguinte também um me julguei no direito de ter o meu projecto. Na altura músicos deixaram de fazer álbuns para fazerem projectos, guionistas deixaram de escrever guiões para fazem projectos, actores deixaram de estar envolvidos em filmes e teatro para fazerem projectos, desempregados deixaram de estar desempregados para estarem entre projectos, arquitectos deixaram de fazer projectos para fazerem pro… bom esses sempre fizeram projectos, mas a realidade é que tinha chegado a minha vez. E foi assim que no dia 29 de Setembro de 2010, surgiu este meu projecto. Um blogue onde pudesse atormentar as almas sãs que deparassem com esta pagina e que por acaso tenham sobrevivido ao primeiro impacto da minha fotografia de perfil. Nesse mesmo dia, à noite, criei um perfil no Facebook e foi assim que no dia 30 de Setembro de 2010, deixei este projecto para trás das costas após ter deixado em rascunho uma enigmática...