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Senhor Presidente, um microfone não é um gelado

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 As intervenções do Sr. Presidente da Republica perante a comunicação fazem-me crer piamente que tendo, atingido o ponto mais alto da sua carreira com a chegada a Belém e não tendo mais nada de útil para fazer, assumiu como único objectivo na sua vida fazer-me passar vergonhas por interposta pessoa. Pode ser mania da perseguição minha, mas estou plenamente convencido que o Senhor Presidente acorda, confirma que ainda está vivo e vai de magicar uma forma de me envergonhar e se possível, por arrasto, envergonhar todos os portugueses. Não é esta última uma condição imprescindível mas, se puder ser, melhor para o seu ego de criançola atrevida. Depois daquelas tristemente memoráveis intervenções sobre tamanho do decote de uma cachopa, que se poderá atribuir à sua personalidade ou senilidade, e dizer na cara do embaixador da Palestina um “foram vocês que começaram”, como se fosse uma educadora de infância perante um aluno de três anos que levou nas trombas de outro mais velho, tive ontem...

CSI - Procuradoria-Geral da República

  Peço desculpa, mas lança-se o país numa crise política a meio da discussão de um orçamento fulcral para Portugal e para os portugueses, devido a um comunicado da Procuradoria-Geral da República (PGR), no qual se refere que, "no decurso das investigações" aos membros do Governo e empresários envolvidos num processo que investiga negócios relacionados com a exploração de lítio em Montalegre, surgiu "o conhecimento da invocação por suspeitos do nome e da autoridade do primeiro-ministro e da sua intervenção para desbloquear procedimentos no contexto suprarreferido". Ou de uma forma mais curta; os suspeitos, leia-se membros do governo e empresarios envolvidos num processo de investigação, numa qualquer altura, invocaram o nome e autoridade do primeiro ministro para desbloquear procedimentos". Como?, pergunto eu. Do género "olhe, veja lá que eu sou amigo do primeiro-ministro"? Ou "olhe que foi o primeiro ministro que mandou"? Na minha opinião, ...

Tout va bien

 49 anos e meio depois do 25 de Abril, fiquei muito satisfeito por saber que, segundo os dados da Pordata, 18,5% (1.700.000) dos portugueses vive  situação de pobreza. Segundo os dados da mesma fonte, casais com 2 filhos estão mais pobres e vêem-se incapazes de enfrentar despesas inesperados como seja uma consulta no dentista ou o agravamento do Imposto Unico de Circulação que irá incidir sobre os veículos com mais de 16 anos (com excepção dos carros clássicos, não vá esta medida afectar os senhores doutores que coleccione carros antigos.  Onde deu-se mais um atentado em Bruxelas que desta vez vitimou 2 adeptos da selecção da Suécia. Felizmente, desta vez, a comunicação social, não teve pudor habitual de esconder a nacionalidade do autor, um tunisino que se encontrava na Europa de forma ilegal e que na altura dos disparos gritou "Deus é grande". Todavia, como consequência mais grave deste atentado, não foi a morte de 2 cidadãos suecos, mas o incómodo que esta balbúrdia ca...

Excusez moi

 Num metro apinhado de gente de rostos fechados que se espreme uma contra a outra, viaja uma família carregada de malas, que adivinho recém chegada de Angola. O rosto do patriarca, que andará aí pelos 50 a 60 anos, presenteia-nos com  um sorriso que lhe atravessa a face desde o lóbulo da orelha esquerda ao lóbulo da orelha direita, traçando uma linha que faz lembrar a mítica aspiração inglesa de criar o Cape to Cairo Railroald para rasgar e tornar seu todo o continente Africano. Aquele sorriso no seu rosto representa tão só a humilde inocência do povo africano que ainda não foi corrompida pela vida nas cidades. Tudo para ele é novo, o Metro, as estações, a amálgama de pessoas que se comprimem para um dia de trabalho… Veste um velho fato de treino do Manchester United com o emblema meio descosido e muito, muito coçado, que lhe denuncia a origem modesta.  Portugal é certamente a sua rota de fuga a uma vida de pobreza. O que irá encontrar não sabe, mas sonha certamente que s...

A porca política do arquipélago

 Ouvir as declarações que Miguel Albuquerque, vencedor das eleições regionais na Madeira, fez ontem perante os órgãos de comunicação social, justificando que a promessa de se demitir, caso não vencesse com maioria absoluta, tinha apenas como finalidade incentivar os eleitores, os seus, a não ficarem em casa e irem votar, em si, naturalmente, fez-me, mais uma ve,z, corar de vergonha da nossa classe política  Confessava o safardana, certamente sem dar conta das consequências das suas palavras, ou pior, consciente da inimputabilidade que paira sobre esta gentalha, que durante a campanha eleitoral mentiu deliberadamente e em proveito próprio aos seus eleitores. Diz portanto o pirata, que não quebrou a sua promessa, mas que apenas mentiu quando fez a promessa. E portanto um homem de palavra, mas... mentiroso.  Por outras palavras, quer este senhor fazer-nos acreditar que os fins justificam os meios, sejam eles quais forem.  Pergunto e certamente com alguma pertinência, se...

Deixe-se dessas coisas senhor Presidente

 Não satisfeito com as figuras tristes que tem feito nos últimos dias no Canadá, com os seus “uí à bacalhau, uí à cozido à portuguesa, ui à fandango” com que fez corar os portugueses um pouco por todo o mundo, ou a observação senil sobre a dimensão do decote de uma moçoila lusocanadiana, presumo que bem provida de atributos (mentira, não presumo nada, já vi o vídeo e a miúda, para além de gira que se farta, merece cada centímetro daquele decote), que ficariam bem a um carroceiro ou a um carregador de hortaliças no mercado do Bolhão, o patetinha a quem demos a honra de presidir este país, parece estar a apurar o seu discurso de parvoíces esperando-se em superar a idiotice anterior, por uma idiotice mais refinada.  No sábado, tive o prazer de ouvir mais uma das suas brilhantes ideias que certamente terá aterrorizado os seus assessores que têm vivido momentos difíceis. Disse o vetusto senhor que os países da União Europeia que não alinhassem pelas decisões tomadas por um núcleo d...

Sugestões de gratificação

 Aproveitando o intervalo entre a notícia, explorada até à exaustão pela comunicação social, do beijo de um treinador careca a uma jogadora e os milhares de fotografias de nuvenzinhas que estão diariamente a ser publicadas no Facebook com perguntas estúpidas sobre o nome das mesmas,  desde que no dia 28 de Agosto enfeitaram os céus de Lisboa umas altocumulus lenticularis, tive o desprazer de ser apresentado a uma manhosice extorsionária inventada pelos profissionais da restauração a que eufemísticamente chamam de “sugestão de gratificação”. Pretendem os galegos apresentar no final da refeição aos incautos clientes, dois preços: um com o valor dos bens consumidos, mais Coca-Cola, menos Coca-Cola, e outro incluído a referida “sugestão de gratificação” que acrescenta mais 5% ao total da refeição e que servirá segundo a associação de extorcionistas, que consegue dizer estas coisas sem se rir, para motivar os empregados de mesa a prestar um melhor atendimento ao Cliente, entenda-se...