Mensagens

Tout va bien

 49 anos e meio depois do 25 de Abril, fiquei muito satisfeito por saber que, segundo os dados da Pordata, 18,5% (1.700.000) dos portugueses vive  situação de pobreza. Segundo os dados da mesma fonte, casais com 2 filhos estão mais pobres e vêem-se incapazes de enfrentar despesas inesperados como seja uma consulta no dentista ou o agravamento do Imposto Unico de Circulação que irá incidir sobre os veículos com mais de 16 anos (com excepção dos carros clássicos, não vá esta medida afectar os senhores doutores que coleccione carros antigos.  Onde deu-se mais um atentado em Bruxelas que desta vez vitimou 2 adeptos da selecção da Suécia. Felizmente, desta vez, a comunicação social, não teve pudor habitual de esconder a nacionalidade do autor, um tunisino que se encontrava na Europa de forma ilegal e que na altura dos disparos gritou "Deus é grande". Todavia, como consequência mais grave deste atentado, não foi a morte de 2 cidadãos suecos, mas o incómodo que esta balbúrdia ca...

Excusez moi

 Num metro apinhado de gente de rostos fechados que se espreme uma contra a outra, viaja uma família carregada de malas, que adivinho recém chegada de Angola. O rosto do patriarca, que andará aí pelos 50 a 60 anos, presenteia-nos com  um sorriso que lhe atravessa a face desde o lóbulo da orelha esquerda ao lóbulo da orelha direita, traçando uma linha que faz lembrar a mítica aspiração inglesa de criar o Cape to Cairo Railroald para rasgar e tornar seu todo o continente Africano. Aquele sorriso no seu rosto representa tão só a humilde inocência do povo africano que ainda não foi corrompida pela vida nas cidades. Tudo para ele é novo, o Metro, as estações, a amálgama de pessoas que se comprimem para um dia de trabalho… Veste um velho fato de treino do Manchester United com o emblema meio descosido e muito, muito coçado, que lhe denuncia a origem modesta.  Portugal é certamente a sua rota de fuga a uma vida de pobreza. O que irá encontrar não sabe, mas sonha certamente que s...

A porca política do arquipélago

 Ouvir as declarações que Miguel Albuquerque, vencedor das eleições regionais na Madeira, fez ontem perante os órgãos de comunicação social, justificando que a promessa de se demitir, caso não vencesse com maioria absoluta, tinha apenas como finalidade incentivar os eleitores, os seus, a não ficarem em casa e irem votar, em si, naturalmente, fez-me, mais uma ve,z, corar de vergonha da nossa classe política  Confessava o safardana, certamente sem dar conta das consequências das suas palavras, ou pior, consciente da inimputabilidade que paira sobre esta gentalha, que durante a campanha eleitoral mentiu deliberadamente e em proveito próprio aos seus eleitores. Diz portanto o pirata, que não quebrou a sua promessa, mas que apenas mentiu quando fez a promessa. E portanto um homem de palavra, mas... mentiroso.  Por outras palavras, quer este senhor fazer-nos acreditar que os fins justificam os meios, sejam eles quais forem.  Pergunto e certamente com alguma pertinência, se...

Deixe-se dessas coisas senhor Presidente

 Não satisfeito com as figuras tristes que tem feito nos últimos dias no Canadá, com os seus “uí à bacalhau, uí à cozido à portuguesa, ui à fandango” com que fez corar os portugueses um pouco por todo o mundo, ou a observação senil sobre a dimensão do decote de uma moçoila lusocanadiana, presumo que bem provida de atributos (mentira, não presumo nada, já vi o vídeo e a miúda, para além de gira que se farta, merece cada centímetro daquele decote), que ficariam bem a um carroceiro ou a um carregador de hortaliças no mercado do Bolhão, o patetinha a quem demos a honra de presidir este país, parece estar a apurar o seu discurso de parvoíces esperando-se em superar a idiotice anterior, por uma idiotice mais refinada.  No sábado, tive o prazer de ouvir mais uma das suas brilhantes ideias que certamente terá aterrorizado os seus assessores que têm vivido momentos difíceis. Disse o vetusto senhor que os países da União Europeia que não alinhassem pelas decisões tomadas por um núcleo d...

Sugestões de gratificação

 Aproveitando o intervalo entre a notícia, explorada até à exaustão pela comunicação social, do beijo de um treinador careca a uma jogadora e os milhares de fotografias de nuvenzinhas que estão diariamente a ser publicadas no Facebook com perguntas estúpidas sobre o nome das mesmas,  desde que no dia 28 de Agosto enfeitaram os céus de Lisboa umas altocumulus lenticularis, tive o desprazer de ser apresentado a uma manhosice extorsionária inventada pelos profissionais da restauração a que eufemísticamente chamam de “sugestão de gratificação”. Pretendem os galegos apresentar no final da refeição aos incautos clientes, dois preços: um com o valor dos bens consumidos, mais Coca-Cola, menos Coca-Cola, e outro incluído a referida “sugestão de gratificação” que acrescenta mais 5% ao total da refeição e que servirá segundo a associação de extorcionistas, que consegue dizer estas coisas sem se rir, para motivar os empregados de mesa a prestar um melhor atendimento ao Cliente, entenda-se...

O Jé

  No Lidl, um exemplar do sexo feminino, parca de carnes e cabelo cortado curto à beata de igreja, que se notava ter sido recém colorido de um loiro alaranjado para disfarçar   a cabeleira mais que grisalha, lutava com os botões da caixa multibanco e ia descrevendo a operação e ditando os afazeres   ao marido que, logo atrás dela, se escondia atrás de um imenso carrinho de compras que faziam a sua fraca figura parecer ainda mais enfezada. "Jé, olha para isto o que está aqui a dar. Jé, olha, olha,   ó Jé" O marido, ocupado a tentar controlar o carrinho de compras que mostrava tendência para fugir para a esquerda, não lhe podia dar a atenção que ela exigia". "Jé, vê lá, vê lá, olha os números. Jé.. Olha para aqui" E   o Jé de pernas fincadas no chão e cu espetado para trás a tentar segurar o carrinho que queria fugir fazia-me lembrar o capitão Ahab a tentar segurar a Moby Dick pelo rabo. "Olha, dij aqui código errado..." Pausa dramática. ...

Da Veneziana à JMJ

 Neste mundo, para além de um bom rabo, existem duas coisas que não me canso de apreciar: o gelado de baunilha da gelataria Veneziana, nos Restauradores, e a total inépcia dos portugueses em qualquer assunto que tenha a ver com segurança. A primeira (o gelado de baunilha, não os rabos que vieram mais tarde), aprendi a apreciar, ainda pequeno, pela mão do meu pai nas poucas vezes em que íamos à baixa por épocas do estio e por lá passávamos, “ É um cone de duas bolas aqui para o rapaz. Escolhe lá de que é que queres”. E eu olhava para todas as cuvets, ainda sem os estúpidos sabores de pastilha elástica, Kinder e Oreos que agora entopem as gelatarias, e dizia “Baunilha e chocolate”, era invariavelmente baunilha e chocolate. Primeiro o chocolate escuro sobre o cone e depois a baunilha por cima. O chocolate era bom, mas a baunilha… ai a baunilha. Ainda hoje me recordo do sabor e do cheiro daquela baunilha. Não me venham cá com Santinis e outras gelatarias da moda que nenhuma delas tem u...