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O Sr Santana

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 Por vezes gosto de me considerar um guardador de memórias, até porque me faz acreditar que sirvo para alguma coisa.  Hoje, remexendo no meu velho baú de memórias, encontrei o Sr. Santana, cobrador reformado na empresa onde ainda vou fingindo que trabalho.  O caro Santana, homem de modos rudes, largo de compleição e nariz fibroso adorava a sua pinga, naturalmente quando digo pinga refiro-me a um barrilzinho de aguardente, sobre a qual ele dizia "Carlos, tenho de lhe trazer uma garrafinha de aguardente lá da terra. Com um bocadinho de açúcar amarelo lá dentro, ao fim dum mês parece uisc!" e depois contava a rir "quando vou com a família à terra, para cima vai tudo comigo no carro, à vinda para baixo vêem de comboio e eu trago o carro".  A cirrose levou-o há muitos anos e a garrafa de aguardente que me trouxe continua por abrir na minha garrafeira, mas tenho a certeza que se um dia a vier a abrir se saberá melhor que o melhor Oban.

Bucareste 30º à sombra

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 Uma das razões que gostava de viajar com o Mourato é que não havia conversas de ir ao pacote. Mas alto é pára o baile. É preciso não confundir conversas de ir ao pacote com conversas parvas em que, felizmente, eramos pródigos. Tanto podíamos andar quilómetros a discutir a diferença entre uma Spur Cola e uma Coca-Cola ou a inventar uma letra estúpida para uma canção com que presenteássemos o Jacinto quando chegássemos à Ericeira, como podíamos estar horas em silêncio sem trocar uma palavra. Nunca havia aquela urgência em dizer qualquer coisa só para fazer conversa. As palavras surgiam quando tinham de ser ditas e os silêncios prolongados nunca eram embaraçosos. Ao contrário daquelas pessoas que estão almoçar e depois de uns segundos de silêncio se sentem no dever de falar do calor ou do frio que fez ou que vai fazer, dizíamos que tínhamos a dizer e nunca nos sentimos obrigados a mais,  Isto veio-me a propósito da mania que apanharam na Antena 1 quando anunciam o tempo para hoj...

Passa-me aí o lápis negro

 No autocarro que circula todos os dias entre a Praça da Nuvem Fofa e o Alto do Não me Toques, do País dos Fofinhos, o motorista faz uma travagem brusca. Mais uma entre a mil e uma que já fez desde que saiu da Praça da Nuvem Fofa. Os passageiros rabujam e olham todos uns para os outros com ar de reprovação mas não dizem nada. À milésima terceira travagem, um passageiro que viajava de pé toca repentinamente  à campainha com o nariz e com a testa. Fiquei admirado. Como é que ele conseguira fazer aquilo? Daí para cá tentei muitas vezes imitá-lo mas nunca consegui, ora tocava com a testa ora tocava com o nariz, com os dois ao mesmo tempo nunca consegui. Apesar de tudo o passageiro não pareceu ficar feliz com a sua proeza e vai de cumprimentar o senhor motorista com um vigoroso “Ó meu grande f***o da p**a, meu c****o de merda (acho que posso dizer merda, não posso?) e se fosses guiar assim para o c*****o? Meu boi, p*******o, chulo merda. Tiraste a carta onde, meu c****o? Foi a p**a...

LGBT Coiso

 Daaassssseeee, esta coisa dos LGTB versão plus está-me a dar a volta ao miolo. Estou a ver um programq na TV em que um homem gostava de ser mulher e decidiu mudar de sexo. Entretanto conheceu uma mulher que gostava de ser homem e tinha mudado de sexo e apaixonou-se por ela. Assim o homem que passou a mulher e pelos vistos gostava de homens, começou uma relação amorosa com uma mulher que tinha passado a ser homem e como tal gostava de mulheres. Ou seja, o homem que gostava de homens casou com uma mulher e a mulher que gostava de mulheres casou com um homem. O que quer dizer que, no fundo, um homem casou com uma mulher mas ao contrário.  É assim ou perdi-me nalgum lado?

Sucesso sim...mas pouco

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 Certa vez, quando era gaiato, assisti a um filme na televisão, ainda a preto e branco, cujo argumento rodava em torno determinado jovem adulto que possuía uma qualidades físicas inigualáveis: conseguia correr mais rápido e mais longe do que ninguém, levantava e arremessava à distância pesos que excediam a força humana, saltava a alturas impossíveis ao comum dos mortais, etc. De tal forma que, um dia, alguém lhe descobriu estes dotes extraordinários e o arrancou às suas tarefas diárias e o convenceu a entrar nuns campeonatos de atletismo. Primeiro regionais, depois distritais e face à sua imbatibilidade, em campeonatos nacionais e por fim nos Jogos Olímpicos que venceu em todas as modalidades em que participou, ou seja, todas!  Escusado será dizer que, primeiro a sua aldeia, depois o seu país e, por fim, o mundo inteiro se vergou às extraordinárias capacidades daquele atleta. Na aldeia faziam-se festas a cada vitória e os mais soberbos faziam pirraça às aldeias vizinhas, os pr...

Todos os porcos são iguais

  Segundo as notícias que tenho lido, há cerca de 6 meses que os habitantes de algumas zonas do Porto, sentem receio de sair à rua depois do entardecer, com receio de serem agredidos e roubados por bandos de imigrantes argelinos armados de facas e martelos. Até à data as forças de segurança não identificaram nem detiveram qualquer elemento destes grupos. Domingo, um grupo de malfeitores nacionais, agrediu indiscriminadamente um grupo de imigrantes apenas por serem imigrantes. Hoje terça-feira, as forças de segurança já identificaram todos os elementos do grupo e já se encontra um deles em prisão preventiva. Se fosse mau podia tirar daqui algumas ilacções pouco abonatórias, como sou pior que mau, deixo que cada um de vocês tire as suas próprias ilacções

Haja vítimas para tanto INEM

 Noticia hoje a Antena I que o INEM irá abrir um inquérito á morte de uma senhora de 50 anos que, em Janeiro, sofreu um AVC na sua casa, em Vendas Novas, e, apesar dos familiares terem ligado para o 112, só tiveram socorro 2 horas depois por falta de meios do INEM e dos bombeiros locais. A pergunta que se coloca é onde andam as ambulâncias do INEM e das várias corporações de bombeiros deste país? A pergunta é, naturalmente, retórica para as pessoas mais atentas e que lêem as notícias com olhos de ver, como diria o meu saudoso pai. Se não, atentemos nestes cinco pequenos exemplos de notícias que retirei dos meios de comunicação social só nesta última semana: 1 - Mãe e filha morrem num acidente em M. No local encontram-se 18 veículos e 40 operacionais dos Bombeiros de M. INEM e GNR. 2 - Homem morre em despiste de carro ligeiro de mercadorias em P. Foram mobilizados para o local 17 operacionais dos bombeiros de P, do Instituto Nacional de Emergência Médica e da GNR, apoiados por nove...