A Assembleia dos Bons Costumes

 Quarenta e nove anos após o 25 de Abril, qua-ren-ta e no-ve anos, a Assembleia da República irá estudar uma proposta para sancionar os deputados que não assumam um comportamento consentâneo com a sua actividade no hemiciclo.

O que levou a esta decisão foi o comportamento, considerado deplorável pela maioria dos partidos, dos deputados do Chega na recepção ao Presidente do Brasil, Lula da Silva.

Repare-se, não foram as viagens fantasma dos deputados ao estrangeiro dos anos 90 em que o erário público foi delapidado por viagens ao estrangeiro de ministros e deputados que se faziam acompanhar pelas respectivas famílias; não foi por deputados e ministros declararem moradas de residência falsas para obterem subsídios a que não tinham direito; não foi por, entre eles, marcarem falsas presenças na Assembleia da República; não foi pelos deputados do PCP abandonarem o hemiciclo quando Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia discursou; não foi pela conspiração contra a direita nos corredores da Assembleia levada a cabo por Augusto Santos Silva, António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa. Foi pelo Chega ter feito um protesto a recepção do Presidente do Brasil. 

Torna-se assim necessário fazer uma correcção ao livro  "O Triunfo dos Porcos", de George Orwell, e onde se lia "todos os animais são iguais, mas há uns mais iguais que outros", passar-se-á a ler "todos os animais são iguais mas há uns mais iguais que outros e mesmo entre estes, há uns mais iguais que outros".


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