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A mostrar mensagens de julho, 2025

Não ofendereis

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  No autocarro que circula todos os dias entre a Praça da Nuvem Fofa e o Alto do Não me Toques, do País dos Fofinhos, o motorista faz uma travagem brusca. Mais uma entre a mil e uma que já fez desde que saiu da Praça da Nuvem Fofa. Os passageiros rabujam e olham todos uns para os outros com ar de reprovação mas não dizem nada. À milésima terceira travagem, um passageiro que viajava de pé toca repentinamente  à campainha com o nariz e com a testa. Fiquei admirado. Como é que ele conseguira fazer aquilo? Daí para cá tentei muitas vezes imitá-lo mas nunca consegui, ora tocava com a testa ora tocava com o nariz, com os dois ao mesmo tempo nunca consegui. Apesar de tudo o passageiro não pareceu ficar feliz com a sua proeza e vai de cumprimentar o senhor motorista com um vigoroso “Ó meu grande f***o da p**a, meu c****o de merda (acho que posso dizer merda, não posso?) e se fosses guiar assim para o c*****o? Meu boi, p*******o, chulo merda. Tiraste a carta onde, meu c****o? Foi a p**...

Elasteno, essa maravilhosa invenção

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  Eu e a menina de leggins pretas chegámos mais ou menos ao mesmo tempo ao pé da caixa de pagamento automatico do parque da Costa da Caparica. Como cavalheiro que sou e porque tinha curiosidade para descobrir se era tão simpática por trás como era pela frente, cedi-lhe o meu lugar e a menina agradeceu com um sorriso que ao mesmo tempo queria dizer obrigado e um não fizeste mais que a tua obrigação. Chegada a sua vez, introduziu o cartão na ranhura correspondente e, logo de seguida, as moedas noutra ranhura mais ao lado. Quase de imediato, na gaveta de baixo ouviu-se tilintar as moedas da demasia. Apressada para as recolher não fosse eu um perigoso assaltante de moedas de euro, deixou cair umas quantas para o chão. Soltando uma impecação, dobrou-se pela cintura para apanhar as moedas do outro lado do parapeito que protege a máquina...... Por acaso vocês sabiam que as leggins são constituídas maioritariamente por elasteno, que goza da propriedade de ficar transparente quando devidame...

Escolas carenciadas

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Fui hoje interrompido a meio de uma torrada e um sumo de laranja (sim, porque eu sou bem) com a notícia Antena 1 que o Governo vai criar este ano 500 novas vagas no ensino superior para escolas carenciadas. À partida e assim de chofre pareceu-me bem, mas depois comecei a pensar: “escolas carenciadas”? O que são “escolas carenciadas”? Serão escolas com falta de professores, de contínuos, de equipamentos, de alunos? E se o Estado assinalou essas escolas como carenciadas porque não corrigiu essa carência ao longo do ano ou dos anos?  Isto levou-me a lembrar aquela curva de acesso à Ponte Vasco da Gama para quem vem do Montijo que tem um sinal a dizer “Curva Perigosa”. Se é perigosa porque é que a construíram perigosa? Mas, na realidade, não sabia o que são escolas carenciadas. Depois aprofundei o pensamento porque também não tinha sentido escolas, carenciadas ou não, terem uma via de acesso previlegiada ao ensino superior e pensei: “ Ahhh, não são escolas carenciadas, serão alunos car...

A culpa é do SIRESP

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  Algumas questões acerca dos incêndios, parvas, obviamente. 1 - E se em vez dos Bombeiros trabalharem 24 horas por dia no Verão a combater incêndios e a arriscar vida, passassem um fim de semana por mês a limpar as matas? 2 - E se em vez dos soldados estarem a fazer algo de indefinível nos quartéis durante o ano inteiro, passassem 2 dias por mês a limpar matas?  3 - E se os presos que estão na cadeia a jogar futebol e no ginásio passassem a pena a limpar florestas?  4 - E se os condenados a prisão domiciliária passassem a pena a limpar florestas?  5 - E se os condenados com pena suspensa passassem os fins de semana a limpar florestas?  6 - E se os habitantes das áreas de risco em vez de passarem os fins de semana do Verão de festa em festa, guardassem um fim de semana a limpar as florestas? 7 - E se os habitantes fora das áreas de risco doassem um fim se semana para ir limpar as florestas? 8 - E se os empresários doassem dois dias no ano da sua força laboral e ...

Crédito mal parado

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Há cerca de 26 anos, mais mês, menos mês, estava eu sentado numa cadeira da Caixa Geral de Depósitos à espera da minha vez para me fazerem uma simulação de crédito à habitação. Depois das tradicionais duas horas de espera passadas a ler papelinhos com percentagens De TAE, TAEG e juros, lá me chamaram ao gabinete asséptico onde aquela gente trabalha rodeada de um absoluto silêncio que só ousam quebrar com os sussurros que nos dirigem. Após ter dito ao que vinha, o que provocou um arquear de sobrancelhas ao funcionário que interpretei como um "está bem, está", lá começou o seu processo inquisitorial: Como me chamava, o número do BI, o número de identificação social, o número da segurança social, número de sócio do Benfica, data de nascimento, recibo de vencimento, habilitações literárias, se era casa de primeira ou segunda habitação, se tinha fiador, quem eram, o que faziam e se participavam nalgum rancho folclórico, se iam à missa ou ouviam discos do José Cid. Ao fim de mais d...

Rua do Alecrim

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  A propósito de nada. Vinham hoje à minha frente, e a descer lado a lado a rua do Alecrim, duas jovens meninas, uma preta e uma branca, que andariam, talvez, lá pelos seus vinte anitos e com o ar inconfundível de quem mora em Monte Abraão ou terras assim.  A preta, magra e negra como a ferrugem e a branca com um cu que eu, à primeira vista, confundi com o Largo Camões, com tuk tuks estacionados e tudo, Mas o que impressionava mais não era aquela enorme mole de carne cujo relevo geológico deixava adivinhar uma enorme actividade sísmica ou meteórica que cravara a superfície com profundas crateras de celulite, o que impressionava mais eram aqueles pobres butties, que se esforçavam para não serem engolidos por aquele enorme nalguedo que se fosse um ciclone estaria certamente classificado como grau 5. A sério que ainda pensei tirar uma fotografia para memória futura. Pus a câmara do telefone em modo parorâmico para fazer uma 360º que captasse o início da anca que ficava a Leste e ...

Faz hoje 40 anos

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 Onde estavas há 40 anos atrás? Se alguém nos fizer esta pergunta a reacção mais provável é a resposta cliché: Há quarenta anos atrás? Eu nem me lembro do que jantei ontem... Pois é. Ninguém sabe! Mas se eu disser que faz hoje precisamente 40 anos que se realizou o memorável concerto organizado por Bob Geldorf e Midge Ute já se fará luz nalguns cérebros e um ahhhh colectivo faz-se ouvir. E se eu disser ainda que esse concerto se chamava Live Aid já teremos luzes suficientes para enfeitar uma árvore de Natal. Os outros, os outros que não se lembram que se lixem. Vão recordar o He-Man e o Marco do macaquinho e os que nem disto se lembram que passem à frente e vão ver aqueles questionários muito engraçados em que ficamos a saber o significado do nosso nome, quem é o nosso melhor amigo e em que ano vamos morrer e porquê. Mas hoje faz 40 anos que se realizou o Live Aid. O objectivo era angariar fundo para combater a fome na Etiópia  e nem o facto da maior parte do dinheiro angariad...

Figueirinha

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  Ontem inaugurei a época balnear 2018, a minha claro, e armado de guarda-sóis, mala térmica e família lá rumei eu em direcção à praia da Figueirinha que, de há 3 anos a esta parte, se tornou a minha praia de eleição desde que abandonei definitivamente Sesimbra tornada por estes tempos um antro de gente e famílias de plástico, muito iguais, umas às outras, muito finas e cujo passatempo favorito é caminhar ao longo da praia importunando todos quantos querem praticar uma actividade à beira mar. Quando nos programas de vida selvagem falam dos números impressionantes de mortes que um simples gato doméstico provoca na avifauna local quando deixados em liberdade, eu respondo imediatamente com o número ainda mais impressionante de pessoas que um só destes passeadores de peles e banhas tostadas pelo sol pode incomodar. Param jogos de futebol, de raquetes, de voleibol, pisam e destroem poças e piscinas que extremosos pais tinham construído para os seus pequenotes, param praticantes de ski...

Uma pergunta póstuma a Stephen Hawkins

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Quando tenho o computador avariado gosto de me cultivar e não deve ser admiração para ninguém se eu disser que ele avaria muito poucas vezes!  Mas a realidade é que ele agora está avariado e lá estive eu agarrado à televisão a ver um programa do canal National Geographic sobre a criação do Universo e da existência ou não de Deus. Seria Deus necessário à criação do Universo? Stephen Hawkins dizia que não, para haver criação basta existir três coisas, matéria, energia e espaço.  Como a matéria e a energia são uma e única coisa, bastaria existir duas coisas: Energia e espaço. O tempo só viria a seguir. E se o tempo começou com o Big Bang não podia existir nada antes da grande explosão. Mas então como se criou a matéria perguntam alguns de vocês? Responde o Stephen: Não existia! Tal como os protões que tão depressa podem existir como não existir, também a matéria não existia antes do momento zero e por isso Deus não existia! Não percebi nada mas fiquei muito surpreendido com a con...