Se uma imagem vale por mil palavras, esta fotografia vale por todas as palavras do mundo, incluindo Foda-se!

 Sobre um monte de escombros, um pai mantém segura a mão da filha de 14 anos que horas ou minutos antes sucumbiu soterrada naquela amálgama de betão e ferros retorcidos provocados pela convulsão de uma Natureza tão pródiga quanto cruel.

Aquele pai, sabendo que a sua filha já não é dele, não a deixa, recusa-se deixá-la, e, sozinho, faz guarda de honra àquele jovem corpo sem vida, segurando-lhe e segurando-se à sua mão. Sabe que depois de lhe soltar a mão jamais lhe poderá voltar a chamar-lhe “a sua menina”. Será apenas uma memória e uma dor no coração. Por isso recusa deixá-la e largar-lhe a mão. Como que a dizer “o pai está aqui. O pai está aqui.”

Aquele pai, ali sentado, representa toda a dor e toda a solidão do mundo e eu, enquanto pai, sinto a dor e o vazio dele como nunca me fez sentir qualquer outra fotografia ou outro relato.

Na realidade e agora que reparo melhor, esta fotografia não mostra um, mas dois corpos mortos, só que o corpo mais pequeno não se apercebe que a vida do seu pai partiu juntamente com ela.



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