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A mostrar mensagens de 2026

Dia do Pai

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  Pai, tenho saudades.  Sabes que eu nunca gostei de pirolitos, nem de qualquer outra bebida com gás, mas eu queria tanto o olho de boi que estava dentro daquela garrafa… Hoje é me impossível olhar para uma garrafa de pirolito sem me lembrar de ti e daquela pioneira das roulottes que se encaixava num passeio à saída de Moscavide onde me compravas um pirolito e uma fartura. A fartura descia, o pirolito é que não. O gás subia-me ao nariz e dava-me vontade de espirrar. Mas eu gostava tanto daquele olho de boi…  Já não é Verão, e ao fim da tarde já sopra aquela frescura que nos arrepia os braços logo abaixo da manga da t shirt e nós sentados naquelas cadeiras de ferro, eu com o gás do pirulito a subir-me ao nariz e tu de volta com a tua cervejinha, loira, com borbulhinhas de frescura a subir dentro do copo que levavas à boca delicadamente levantando o dedo mindinho  O dono da roulotte, de bigode à Errol Flinn, passa o pano no alumínio do balcão e fala com dois clientes q...

A uma amiga perdida

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  Deitada na cama, de olhos esgazeados, Silvia olha o tecto branco do quarto. Aquele mesmo tecto que viu tantas outras noites, umas vezes de sorriso nos lábios, outras de lágrimas nos olhos e hoje de uma forma diferente, despegada e talvez um pouco triste.  Quando era pequena e corria descalça pela relva com a saia plissada branca e vermelha esvoaçando atrás de si, este dia parecia-lhe muito longe, inatingível até. Também, aos 10 anos quem pensa neste dia? Aos dez anos… tem agora cinquenta e sete, e pelo caminho foi perdendo os sonhos e as gargalhadas, as corridas pela relva foram substituidas pela corrida para o autocarro e os dias carregados de verde e azul celeste, por um lugar obscuro num Ministério cinzento. Cinquenta e sete de vida e quase quarenta perdidos. Sente uma lágrima começar a formar-se no canto do olho direito e depois de bem cheia, começar a descer silenciosa pelo rosto em direcção ao ouvido. É quente e sabe-a salgada, tantas vezes as saboreou. O tecto parece-...

Dia dos Namorados

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  E pronto! Passados 365 dias lá passámos nós outra vez pelo dia mais parvo do ano! 14 de Fevereiro, Dia dos Namorados! Dia do pessoal ir a correr aos centros comerciais com um único pensamento “epá, deixa-me lá ir comprar qualquer merda para aquela gaja!”, isto porque, logo pela manhã, descobriu-se meio escondido entre as camisolas da companheira um pequeno embrulho muito bem enfeitado com um laçarote e uma etiqueta em forma de coração. Sim, porque as mulheres lembram-se sempre com devida antecedência de ir ao centro comercial “comprar qualquer merda para aquele gajo!”. Trocadas as merdas, mais ou menos caras conforme a disponibilidade financeira, dá-se o beijinho da ordem e o “gajo” vai para o sofá enquanto a “gaja” lá fica a arrumar a cozinha como nos outros 364 dias do ano. É tão fácil dizer que amamos… basta ter uns trocos no bolso e ir ao Centro Comercial que lá o amor vende-se em pequenos pacotes muito bem enfeitados com um laçarote e uma etiqueta em forma de coração! No Ale...

Sir Arthur Conan Doyle

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  Derivado ao briolo que se faz semtir lá fora que nos convida para uma noite repousante à lareira e à falta de um filme de pancadaria na televisão, dei por mim a pensar que livros remetem para uma noite passada à frente do fogo? Dois autores vieram-me de imediato à mente, Jules Verne e Sir Arthur Conan Doyle. Como o primeiro demora sempre um pouco até ocorrer uma tempestade que nos faça apreciar o calor que estamos a gozar, optei por Doyle e o seu inigualável Sherlock Holmes que em duas oadinas. Se não menos, nos coloca nas ruas húmidas e nevoentas de uma Londres vitoriana de caleches e tipoias que nos obrigam a viajar enrolados em mantas de viagem e a tomar grogues quentes. Como os pensamentos e conversas são como as cerejas, vermelhos e com caroço, veio-me à memória uma história absolutamente verídica que se passou com o autor numa das suas deslocações a este cantinho à beira mar plantado e da qual muito gosto. Em primeiro lugar porque nunca aconteceu e em segundo lugar porque n...